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sábado, 18 de julho de 2026

LÚCIDO


 
LÚCIDO

Solenidade do pertencimento 

Não chega até o abajur acender

 A política de boa vizinhança 

Tem tempo de validade

Quando acaba o último ato

No camarim tirando a maquiagem 

Persona, expressão do falo

Na farsa das passagens 

O ante- herói é o lúcido 

Vê o desejo no lugar comum 

Esperança terminal diante a luz

Que aparece no escuro da noite 

Bem na conversa com o teto

Sabe ser alvo dos encalços

Sente que não se encaixa

É o dilema do tormento 

Dos tropeços da consciência 

No diálogo dos discretos 

Olhar revela o que não tolera

conluio com sorriso que não sai

Vai até a calada bocejar Alvorada 

E segue o dia na persona camarada 

Afinal é a mente que não se encaixa

No que ouve entra fadiga 

Precisa da integridade preservada

Porém o medíocre é feliz

Ser boçal não preocupa 

Blasfemar sem vergonha na cara

A incoerência no topo da lista

Se auto afirma na misoginia 

Não há canto que não brada

Coerência menos importa no que diz

Ser esdrúxulo é forma de conduta 

Censura prévia não há no dito

Tem cúmplices no culto 

Orgulha-se melhor sendo racista 

Triunfo está na homofobia 

 Indigna o pseudo justo 

Todo lado tem um par

Sem dizer consentimento dos calados

Da empáfia é vassalo

 Indiferença marca o lado

Faz da defesa revelia 

Como manter a sanidade?

Se tolerar tem auto custo 

Tormento virou epidemia 

Faz o lúcido se camuflar

Da blasfêmia sobre tablado 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO  

sexta-feira, 17 de julho de 2026

AMOR MILENAR

AMOR MILENAR 

Bigode que são antenas 

 O eterno pelo afago

Resgate do singelo perdido 

Abraça o peito 

Sobre as pontes avariadas

Energia sobre as safenas

Estabelece a travessia 

Dando pontos de ternura

No coração querido 

Tira-me do vale das sombras 

silêncio da calada ela não mia

Mistérios dão seu jeito 

Com o abraço que ensina amar

Nas carências que indago

No flagelo dos afetos 

Faz me ser um monomito 

Devolve – me o respeito 

E o eloquente ronronar 

Ensina ternura onde há grito

Retira todo fardo 

Sob o apreço da alma pura

Sem eu entender direito 

 os porquês que carrego

desdiz o que tenho dito

Os encantos sob a lua

Felina que cura

Sou feito amor cativo  

É doce que apaga o amargo 

Até a madrugada fica nua

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O LIMBO ESTÁ ON

O LIMBO ESTÁ ON

 Vem para ti a luz do dia

Na noite que não adormece

no redemoinho do que refuta

Os algoritmos sedutores 

Distraem pelo acaso

Com astúcia demoníaca 

Passa a tela sob transe

Anestesia a carência 

Porque nada guarda

Não difere o indigesto 

Pela hipnose condução 

Faz do tolo decadência 

Goza com sexo alheio

Blasfêmia com a sua divindade 

Fazem do rito um post

Estandarte do ressentido

Malfeitor causa dependência 

Esconde a linha da vida

Assim como instinto da resistência 

Abala metabolismo da cognição 

Com astúcia do pertencimento 

Projeta a luz do seu limbo 

Esperando a notificação 

Com frouxidão do espírito 

Seca a fonte da alegria 

Toma das agruras totem

Torna compaixão sagaz

Por Interesse do impulsionamento 

Passa a lacrar para crer

O faz amante impessoal 

Da resistência produto 

 Cria indulgência artificial 

O faz abduzido de primeira ordem

Absteve de ser 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


 

O JOGADOR

 O JOGADOR 

  Vulto da ilusão perversa 

Nas luzes da hipnose 

Como traças roem afetos

Hipoteca a vil dignidade 

Aí mora o perigo da peça 

 Contra crise de abstinência 

 sorte é a cenoura que guia desejo

Com esse jogo da consciência 

Seduzido pela máquina enigmática

Provoca o amor fazer as malas 

Enquanto atira-se no abismo 

O clímax da tragédia o espera

E deixa a resiliência apática 

O imprevisível calculado 

Derrocada de vigília 

E o bom senso sequestrado 

E a alma é o resgate 

Da guerra nada santa

A angustia está fadado

A isca que caça o peixe

E estraçalha a família 

O arpão do capital selvagem 

A corda é a aposta que sufoca 

Liberada pela alavanca da banca

Ignora o que supôs a arbitragem 

No radicalismo da esperança 

Sob o vício da roda que gira

Redemoinho do pobre diabo 

Conforme gira se dança 

Cobiça do miserável 

A cabeça pira

Perde mais que o chão 

Sob dopamina está o sonho

Passa alienar as reservas 

Muito além do suportável 

Pela indecorosa cegueira 

Subjuga honestidade temerosa 

Depende do acúmulo emergente

Cai na rede do risco 

a crise sob luminosos alaridos

A vida escorre pela peneira 

Pela herança do inferno 

Luz das palmas o tiram o centro

Entregue a resposta do Incomodo

Sem decoro escorre a torneira 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

BARCO FURADO

BARCO FURADO 

Ser perdoado foi uma lástima 

Sutileza que faz o réu confesso 

Tiro na canoa do engodo 

Havia dor que moldava a sentença 

Agora o perdão provocou

o naufrágio com a redenção 

Tirou a oportunidade da marola

Que partiria do ponto final

Até o sofrimento já tinha retórica 

Aí surge a gloriosa compaixão 

E anestesia o cálculo da razão 

Assim desmoraliza o embusteiro 

Anula o ressentimento

Veja se tem cabimento 

Estratégia era manter a mágoa aberta

Como ferida do dilema

Travestido de retrato ambíguo 

Aí vem doação de uma nova chance.

Agora nem o silêncio colocará freio na língua 

A justificativa seria a dopamina

Num tribunal que condenaria sem provas

A pós Verdade recorreria contra verdade

O vácuo pulveriza a culpa 

Com cara de paisagem e tudo negado

Resta tapar o buraco 

Antes que a reputação naufraga

E fique a deriva e desolado 

Mas a liberdade o colocou nas cordas

Com a conveniência do pertencimento 

Desmoraliza a auto sabotagem 

Sobrou – lhe a alcunha de regenerado 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


terça-feira, 14 de julho de 2026

PEREGRINOS DE CACURUCAIA

PEREGRINOS DE CACURUCAIA 

Peregrinos discretos

A procuram na companhia da noite 

Com seus tormentos secretos

Sobre seus fardos de sua vida paria

Mau trato da angustia ao sofrimento 

Perdidos no vale das sombras 

Germinado de muitas áreas 

Quando o lodo sobe a cintura 

Desorientados aprender a rezar

E atingir patamar de consciência 

Aponte o horizonte do conhecimento 

causas para sabedoria anciã 

Vão ao Cruzeiro no limite da vida e morte 

Destino os trazem a essa raia

clamarem a alma que se suporte 

Pela lida trágica perplexa

A evoca através da luz da vela

Conexão dos mundos 

Para que se clarear aquilo que é 

Pela sua força feiticeira 

Com a pungência ancestral 

Sobre a regência de Nanã

Conversa com vento balanço da saia

Pela calunga chegava Velha senhora

Traz cesto de ervas

Colhida no seu quintal 

 Alecrim, sálvia , boldo e guiné 

Para as mandinga e magia 

Da pomba-gira Cacurucaia.

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


CLAUSURA DA ALMA INFAME

 CLAUSURA DA ALMA INFAME 

A consciência ou falta dela

O impede de se olhar no espelho 

Tocaia do retorno ao fim do beco

Sente espinhos no travesseiro 

O coletivo quer que se dane

Não suporta se olhar no reflexo 

Instrumentalizar a vergonha 

Para vitimizar-se para que ganhe

O tempo parece que hiberna 

Remorso o faz se engolir a seco

Orgulho do genocídio 

Pela goela de um ser infame 

Cada um tem castigo que lhe serve

O plexo solar perdeu o lume

Clausura -se na escuridão interna

Eterno habitat desse verme

Prova-se o quanto é peçonha 

As Pautas de costume 

Desce que parece enxofre 

Não consegui segurar o grito 

Próprias vísceras ele deu nó 

Pautadas pelo soluço 

Reconhece a entrada do inferno 

Digerir-se como curtume 

Entre facínoras era um mito 

Auto flagelo por ser indigesto

 Tinha um torturador paterno 

De pronto toma um susto 

Percebe que ainda não está só 

Faz de si sua caverna 

Mesmo na escuridão sente o olheiro 

A sombra de sua insônia 

deve ser do conselho da retaliação 

Pai, filho e espírito no cativeiro 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


segunda-feira, 13 de julho de 2026

LABUTA HERÓICA

LABUTA HERÓICA 

Embarcada a Monomito   

Mil faces sobre os trilhos 

 trem desperta alvorada com apito 

na estação do tumulto 

Sua plataforma entorna 

Cada qual tem seu gueto 

Sua cicatriz digital 

Na lamúria coletiva 

Acordada com café preto

As crianças ainda dormem 

No retorno sono dos justos 

Na folga nos reencontramos 

É o gole do consolo 

A interior sai com sereno

Arcabouço de cada vagão

 Cartografias de cada mito

Põe a prova seus limites 

Na epopéia de cada indivíduo 

Heróis e heroínas sobre trilhos 

Na lida pelas labutas 

Vagão a caverna apertada

Espremendo cada afeto 

Na batalha com seu leão 

Conta com tolerância do patrão 

Porque deu boi na linha

O percurso da alquimia 

Nunca chega o mesmo

Cada episódio tem sua metáfora 

Há quem se comporta como animal

Cafajeste roça ombros das sentadas

Outras defende -se com sacolas

 Gestante frustrada por uma vaga

cabeças e cotovelos nas têmporas

Tendão tencionado que arde

Cada parada a fadiga da demora 

Chacoalhados como carga 

Elixir dessa saga 

 São os filhos que esperam em casa

Balanço da sobrevivência 

Nos padrões matinais 

Piora no final da tarde 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


MITO E A ARTE NA CAPELA DOS AFLITOS

MITO E A ARTE 

NA CAPELA DOS AFLITOS 

Faz tempo que me espera ?

- A magia do lugar me entreteve 

 olhar encantado como o templo

Elos que fazem do etéreo ser belo

Ambos atravessam o tempo

- Achei que não viria mais

Imagina, sou onipresente 

o deixei na companhia do silêncio 

Além do digno anfitrião 

Justifica o local do encontro 

É minha casa, com mitos urbanos

Aqui é a alma de nossa resenha 

“Partida, iniciação e retorno”

- Chaguinha foi morto na forca

O império e a calamidade 

Engano! não morto, desencarnado

Não sentiu a presença dele aqui?

Sentidos provocados. – É verdade 

Tornou-se o rebento de esperança 

Semente dessa irmandade

Ímpeto resistente na fé 

Colhe – se solidariedade 

Percebe, a Capela foi restaurada

É o reflexo da alma dos devotos 

Cantada em alegoria na avenida 

Sorrisos de devoção

 Desenhado no sorriso dos pés 

O herói, o mártir ,mito e a arte,

O estandarte é o seu manto 

No coletivo já somos manifestos

Por ser sagrado e glorioso 

A existência da divindade

Reflete no âmago do peito aflito 

Chaguinha já é Santo 

Fez ser presente a dignidade 

Ressignifica o espírito do povo

Por mais que tentem artimanhas 

Enforcar a memória 

Liberdade! Liberdade!

Nada haver, imigração nipônica 

Aqui pedaço da África ancestral 

O baronato adora ser colônia 

Incomodados com a glória 

Complexo em trilhos subterrâneo 

Cujo respiro, praça dos enforcados

Os fariseus não perdem a mania

 Paradoxo subverte a história 

-O que pensa para o artista ?

Já está escrito, a arte é a poesia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO