O JOGADOR
Vulto da ilusão perversa
Nas luzes da hipnose
Como traças roem afetos
Hipoteca a vil dignidade
Aí mora o perigo da peça
Contra crise de abstinência
sorte é a cenoura que guia desejo
Com esse jogo da consciência
Seduzido pela máquina enigmática
Provoca o amor fazer as malas
Enquanto atira-se no abismo
O clímax da tragédia o espera
E deixa a resiliência apática
O imprevisível calculado
Derrocada de vigília
E o bom senso sequestrado
E a alma é o resgate
Da guerra nada santa
A angustia está fadado
A isca que caça o peixe
E estraçalha a família
O arpão do capital selvagem
A corda é a aposta que sufoca
Liberada pela alavanca da banca
Ignora o que supôs a arbitragem
No radicalismo da esperança
Sob o vício da roda que gira
Redemoinho do pobre diabo
Conforme gira se dança
Cobiça do miserável
A cabeça pira
Perde mais que o chão
Sob dopamina está o sonho
Passa alienar as reservas
Muito além do suportável
Pela indecorosa cegueira
Subjuga honestidade temerosa
Depende do acúmulo emergente
Cai na rede do risco
a crise sob luminosos alaridos
A vida escorre pela peneira
Pela herança do inferno
Luz das palmas o tiram o centro
Entregue a resposta do Incomodo
Sem decoro escorre a torneira
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO

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