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domingo, 19 de julho de 2026

DANDARA CIGANA

DANDARA CIGANA 

A bátega d’água não impede a liturgia 

Que caia sobre as águas que depositava a prece

Era chuva de Ayrá sobre rio de Oxum 

E na várzea aquele de expectativa vazia 

e os elementares como confessionário 

Unidos num romance sagrado

De susto surge a saia que gira a roda da vida

Cuja dona que a vestia significa o movimento, vibra elegância 

Até o ar ascendeu o aroma de rosas

Linda no brilho e expressão 

Sua plenitude de encanto 

Parou o temporal num repente 

Uma súplica de bom trato para não ser descortês 

-Perdoe moça me deixe só. Rogo meu apelo a Oxum 

Solta um suave sorriso , que dispensa o reconhecimento 

- moço de merecimento, aqui estou na missão de preposta.

Fez o obséquio e contemplou a companhia 

- Qual a sua graça?

- Dandara. E completou :

Perdido na viagem do mundo que o deixou a margem 

Procura a chave que abre as vias do destino 

Percurso o qual engendra dúvidas 

Vive momento trágico pouco forçado 

No limiar da esperança e o calabouço 

Oriundo de derrocada absoluta .

Letrada em alegria, disse afetuosa 

-Por mais paradoxal que pareça, é o indício de evolução 

A amabilidade elevava a cortesia, ela entendeu sua alma

- No drama dentro de ti, vivenciou o clímax. Onde a conjuntura o fez cético 

O lamento foi o silêncio, que repassa o filme, em episódios

- Sei que não encontrou a dignidade do sustento.

Argumenta: - Creio que nesse plano, esgotou os propósitos, a fonte secou

- Esquece pressupostos passados, eles são como esse rio, que já não é o mesmo desde que a chuva parou.

A presença doce era como a água corrente 

Num instante hidratou o espírito e o levou ao plano metafísico 

O que significa a dispensa dos desejos frívolos.

Porque agora ascende a uma missão ancestral.

Já parecia íntimos na espiritualidade 

Revelou coisas que a sombra escondia 

- Agora prepara seu bornal do louco . Dentro as ferramentas do mago e a lamparina do Eremita 

Para tu que deseja a chave 

empregue o verbo iluminar

A regência do Amor é a magia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


  

ZÉ E O FIM DO TRAPO

 ZÉ E O FIM DO TRAPO

Dizimado de cada dia

Usurparam a Decência

Banho e sabonete 

Cuidado corpo doente 

Entre o choque de realidade 

*

Que sonhou outrora 

Banhado de ilusão

Na alegria do futebol 

Saudades de ler o cardápio 

Do pasteleiro da Quietude 

*

Traumático a carestia 

Ressignifica a carência 

Exército da miséria é cadete

Pé cascudo no asfalto quente 

Despojado da dignidade 

*

Chove muito aqui fora

Tá mudando a estação 

Encolhe-se em caracol

Visto como larápio 

Corpo molha sem atitude 

*

Descendente de dinastia

Acumulador de doença 

 fome, friagem e cacete

De compaixão é carente 

É invisível sua calamidade 

*

A esperança foi embora 

No mundo restou fiel cão 

Na chuva, frio ou faça sol

Tem a estima em farrapos 

No sumário esvaiu solicitude

 SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

REPULSA CÉTICA


 REPULSA CÉTICA 

Positivismo tóxico 

E as parábolas de consolo 

Se camuflam de compaixão 

Como senha de distanciamento 

Das competências genuínas 

Que requer a humanidade 

Terceirizada a algum divino 

Do mercado místico 

Cria esse ridículo de conduta

 ancorada na devoção 

A mediocridade vira rito

À vítima impute a culpa

Piorando a situação 

Subestima a mente sã 

Como se em águas bentas 

Lavasse as mãos 

Da ao factoide algum 

Versículo, parábola ou Itan

Fossem súmulas do veredito 

- Que a dor seja penitência 

Propósito do gélido isolamento 

Para que se arrependa a tempo

Sabe-se lá do quê 

“tenha fé e será absolvido “

Fazem da divindade 

Envergonham qualquer mito

Mantos de vaidade

Como projeção programada

Dissimular o que não é comigo 

Obra do racismo religioso 

“o julgo miserável , porque sou abençoado “

A benção do mau trato 

Valida a fé espúria 

O que é mais penoso

o varre pra fora do circuito 

Para que as lágrimas não solte grito 

Imaculada desgraça de cada dia

“Livrai-nos das penúria “

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

sábado, 18 de julho de 2026

SEPULCRO MACULADO

SEPULCRO MACULADO 

Sepulcro maculado  

Da vil e pitoresca

Virtude caída 

Dúvida eterna

Onde ,Vida e morte se encontram

Na mente dos aflitos 

Ao julgo da temporalidade 

 Decidem os beneficiários da redenção 

Melancolia tem lugar de fala

Vertical rumo ao abismo

Sem melodia a situação 

A seco desce inativo 

Com seu fardo de pesares

A queda dialética ao sombrio 

Como romantismo gótico

Os discípulos de Werther 

Encontra no limbo o lirismo 

Contrapõe análise do subjetivo 

A auditoria da fundação 

Com a ressaca da abstinência 

A nulidade do reflexivo 

O não criado na vida em curso

Perante ao desejo da morte

O paradoxo apelo a vida

o espírito não pede recurso 

Pela ansiedade do aflito 

O sofrimento e seu calvário 

Mesmo que corte os pulsos 

E sua estratagema do pertencimento 

Retórica análoga 

Com drama apocalíptico 

E a luz esvaindo no crepúsculo 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

LETÁRGICA INSÔNIA


LETÁRGICA INSÔNIA 

 No cume da insônia 

 Consciente em vertigem 

A prudência do drama

Se explodir no meio da linha

Não há mais teto para reter

Antecipa-se sua tragédia 

Por isso da madrugada moderadora

Que a morte seja conduzida

Para construir nova vida

Paradoxo do mistério sob a lua

Encontrar o equilíbrio na distopia 

Para revelar sua Epifania

 Na retidão do estômago vazio 

Jejum forçado que revela o espírito 

Na angustia atormentada 

Súplica da existência 

Quebra paradigmas 

Na sombra da vigília 

Do herói da resistência 

Na Letargia do nada sobre a vida

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

RETRATO DA MEMÓRIA

RETRATO DA MEMÓRIA 

Fico tão feliz quando te vejo

Colocarei sua foto no canto do espelho 

Assim ficamos lado a lado

Como nos velhos tempos 

Com seus olhos sorridentes 

E todo seu brilho eternizado

Dará lembranças afetiva a saudade

Até mesmo com papo furado

O ontem voltou com o vento 

E como nasceu todo respeito 

Que cada vez que a imagem 

Ressurge me pega a reboque 

Sinto a falta que me da

Da a memória aos sentimentos 

Árvore da amizade crescendo como Paoba

Que alivia a sede da tua falta

Hidrata a memoria do acolhimento

Que a generosidade me ensinou 

O amor cultiva o colo amigo 

E toda lembrança que trago contigo 

Maduros e mais eloquentes

Até no silêncio juntos nos faz sábios

Seu retrato faz presente 

Beleza da irmandade satisfeita 

Confesso perante o espelho 

A satisfação agia calada

Como semente em terra fértil 

Da nossa fauna nasceu a flora

Que se reflete pela jornada 

Na poesia da memória 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

LÚCIDO


 
LÚCIDO

Solenidade do pertencimento 

Não chega até o abajur acender

 A política de boa vizinhança 

Tem tempo de validade

Quando acaba o último ato

No camarim tirando a maquiagem 

Persona, expressão do falo

Na farsa das passagens 

O ante- herói é o lúcido 

Vê o desejo no lugar comum 

Esperança terminal diante a luz

Que aparece no escuro da noite 

Bem na conversa com o teto

Sabe ser alvo dos encalços

Sente que não se encaixa

É o dilema do tormento 

Dos tropeços da consciência 

No diálogo dos discretos 

Olhar revela o que não tolera

conluio com sorriso que não sai

Vai até a calada bocejar Alvorada 

E segue o dia na persona camarada 

Afinal é a mente que não se encaixa

No que ouve entra fadiga 

Precisa da integridade preservada

Porém o medíocre é feliz

Ser boçal não preocupa 

Blasfemar sem vergonha na cara

A incoerência no topo da lista

Se auto afirma na misoginia 

Não há canto que não brada

Coerência menos importa no que diz

Ser esdrúxulo é forma de conduta 

Censura prévia não há no dito

Tem cúmplices no culto 

Orgulha-se melhor sendo racista 

Triunfo está na homofobia 

 Indigna o pseudo justo 

Todo lado tem um par

Sem dizer consentimento dos calados

Da empáfia é vassalo

 Indiferença marca o lado

Faz da defesa revelia 

Como manter a sanidade?

Se tolerar tem auto custo 

Tormento virou epidemia 

Faz o lúcido se camuflar

Da blasfêmia sobre tablado 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO  

sexta-feira, 17 de julho de 2026

AMOR MILENAR

AMOR MILENAR 

Bigode que são antenas 

 O eterno pelo afago

Resgate do singelo perdido 

Abraça o peito 

Sobre as pontes avariadas

Energia sobre as safenas

Estabelece a travessia 

Dando pontos de ternura

No coração querido 

Tira-me do vale das sombras 

silêncio da calada ela não mia

Mistérios dão seu jeito 

Com o abraço que ensina amar

Nas carências que indago

No flagelo dos afetos 

Faz me ser um monomito 

Devolve – me o respeito 

E o eloquente ronronar 

Ensina ternura onde há grito

Retira todo fardo 

Sob o apreço da alma pura

Sem eu entender direito 

 os porquês que carrego

desdiz o que tenho dito

Os encantos sob a lua

Felina que cura

Sou feito amor cativo  

É doce que apaga o amargo 

Até a madrugada fica nua

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O LIMBO ESTÁ ON

O LIMBO ESTÁ ON

 Vem para ti a luz do dia

Na noite que não adormece

no redemoinho do que refuta

Os algoritmos sedutores 

Distraem pelo acaso

Com astúcia demoníaca 

Passa a tela sob transe

Anestesia a carência 

Porque nada guarda

Não difere o indigesto 

Pela hipnose condução 

Faz do tolo decadência 

Goza com sexo alheio

Blasfêmia com a sua divindade 

Fazem do rito um post

Estandarte do ressentido

Malfeitor causa dependência 

Esconde a linha da vida

Assim como instinto da resistência 

Abala metabolismo da cognição 

Com astúcia do pertencimento 

Projeta a luz do seu limbo 

Esperando a notificação 

Com frouxidão do espírito 

Seca a fonte da alegria 

Toma das agruras totem

Torna compaixão sagaz

Por Interesse do impulsionamento 

Passa a lacrar para crer

O faz amante impessoal 

Da resistência produto 

 Cria indulgência artificial 

O faz abduzido de primeira ordem

Absteve de ser 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO