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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

CORRENTES DO SONETO

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

POETA CANTA A LUA

POETA CANTA A LUA 

 É poesia Paraná 

Rio de dimensão do mar 

Coração se afina delírios afluente 

Como lendas originária de amantes 

Até o desejo começa a adequa

Dão braçadas desejos efluentes 

Arco-íris de paixão cortante

Por ondas de “La Vie em Rose” 

Que atravessam continentes

Sob a lua anseios espumantes

Como fendas poética que leva

A nostalgia de “Meia-Noite em Paris “

Faz da madrugada sem fim

Brisa da mente de entrega leve 

  os abundantes retratos da Rosa

A história álbum jardim 

Galeria de poses feito partitura 

Aviva ao concerto de violino

Cutucada se insinua no chão de giz

Porque a criatividade se atreve

 És como uma pintura 

Quando os peitos batem o sino

Toda compostura flutua 

A poesia namora a prosa

O carinho harmoniza a lisura 

De camisa e perna nua

Nas taças delicioso vinho 

O poeta canta a Lua

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

LUMINÁRIA VIRTUAL

LUMINÁRIA VIRTUAL 

Poste comunicava-se com o da transversal 

- posto o insolente na encruzilhada 

Sobre a varanda que nos espiava 

Para entender entre ser luz e querer holofote 

 na parede externa da Fortaleza 

Se depara com a binária artificial 

Preso por uma mão francesa

Graças subserviência eurocêntrica 

 as peripécias que o mundo nos prega

Mortal-boçal, condenado pelos Deuses da Vida

Torna-se a luminária do lado de fora

Ficou estrábico a criatura com pensamento ofuscado 

Como torturado de guerra

Foi visitado pelas mariposas 

atraídas pela luz, e contempladas pelo “influencer” das redes

Quem se julga farol torna-se um

aquário prestando-se a segurança e museu 

O clarão veio a mente todos os que tinham razão de desprezo

Porque a luz do espírito germina da escuridão do silêncio 

O gênio de aquário clama por glamour 

Que supõe seguidores, que não o conhece mais que as mariposas em volta da lâmpada 

“O espírito é preexistente escondido do caos da vida”. O Boçal é a remela do caos em conserva . 

Numa prateleira virtual 

A flama que produz com o intrometido não consegue coada, no tom que profere, além de entretenimento descartável 

As hastes das mãos que rolam a tela transitam, com empáfia descomprometida, o resto é ilusão ofuscada.

Que aprisiona o influencer na desilusão da encruzilhada.

*

SÉRGIO CUMINO. 

                       INVERNO REVERSO                                                           


 


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

CADAFALCO DA AUTOESTIMA

CADAFALCO DA AUTOESTIMA 

Um sopro de luz

O faz perder impressões de outrora 

Melhor, caiu no julgo do bom senso 

Por desatenção se vê prostrado 

Justo a preservação se faz cadente

Dispensa a autoestima por impropérios 

Perde a relevância que parece ter

Passo raso que não cobre o pé 

Desvia a atenção da razão 

Poça vira lago onde supõe profundidade 

Tenta iludir o mergulho 

Estouraria a testa no lodo

Cabe aqui um asterisco ou aspas?

Diante do post da frase feita 

Quase caí no charme rarefeito 

Graças a ilusão efêmera 

E se perde com as rolagem 

Como fenda temporal da rede

Insuficiente para crescer fio da barba 

Não valeu a lufada do ar virtual 

Simples e desagradável mudança de rota

Faz o equívoco virar ficção barata 

Reduz-se a inseto da mesma espécie 

Para gelar os pés em estação fria 

A intuição esforçou-se no período frívola 

Eis o perfil do teimoso esperançoso 

Quem não tem nada de novo 

Terá tudo do mesmo 

Chances da fissura acanalhada 

princípio das náuseas existências 

Parece ter vagas de estimação 

Relação que deixa estômago enfadado 

Vem daquela que projeta 

O espelho somente para umbigo 

No silêncio a consciência o chama atenção 

Cultivar o masoquismo,

 se engana com que sabe 

As carências exercem

 sua força na confusão 

Relativiza a ressaca do mea-culpa

Faz da efemeridade ejaculação precoce 

Tão bizarra que não vale um verso

O reflexo mantém um palmo

 distante da púbis 

Inútil seria explorar o corpo

Sob as poesias de Eros

A quem perdeu a chance de ser mulher

No teatro da vida

O que importa é a catarse

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

domingo, 2 de agosto de 2026

PLATAFORMA DO PESADELO


PLATAFORMA DO PESADELO 

Barrado na esteira da alfândega 

Apatia da solidão sepulcral 

Conforme os preâmbulos divino 

Da terra não se leva nada

Um paradoxo da pós vida

Justo eu que nada deixo

Se quer um legado fica

lembranças e da biblioteca roubada

Se nem velório teve 

Nem vela, nem foro, nem cânticos 

Nem me vem com ironia 

Colheu o que plantou.

Parado por excesso de carga

O auto falante anuncia 

Um minuto de silêncio 

Primeiro vagão reservado 

É o embarque das crianças de Gaza

como se a gravidade despencasse 

Soterra as almas do ambiente 

Justifica toda poeira 

O dilema elenca agora uma questão 

Quão pesado é o vazio 

 organizei a bagagem conforme os ditames 

Do nada ao nada 

Confirmado a legalidade do fato 

 que nem Deus carrego 

Pela obviedade de ser onipresente 

Até meus malfeitos foram remoídos 

pelo remorso e culpa, reduzidos a pó 

 se foi com o vento da redenção 

No período de reclusão 

Uma triagem terrena completa 

Pois então, sou eu a bagagem 

Recrudescia se iria de fato seguir 

Supus que o ministério do além 

Que mandou um burocrata divino

Nas leis do direito oculto

Haveria possibilidade de recurso 

Será um anjo divergente 

Pôs-me numa pescaria probatória

Prostrado e humilhado

Testemunho ocular no embarque de crianças 

Mortas pelo sionismo infame 

Na plataforma da eternidade 

Embaçado que pouco enxergava

De certo referente a idade

Contraria a juventude iluminada 

A morte não destrói a vida

Mas a vida apresenta controvérsia

 temente a Cristo com orgulho 

Será que aí que mora toda carga

O inverso seria amar em Cristo 

A doutrina endurece os sentidos 

Pesado a rotina das regras

Será que não é possível - dizia eu

Despi–me desse peso, me desfiz da ideia 

Há peso velado ao tabu da nudez 

Talvez seja um sectarismo ortodoxo 

Com os distúrbios da intuição 

A retórica um oceano sem fim

Já estou de passagem pela passagem 

E a situação de mau a pior

Não sabia quanto tempo passou

Nessa condição de imigrante indesejado 

Ou reflexo da noite mau dormida

Mas o que importa a alguém em vida 

Tanto tempo se desperdiçou 

Constrangida fatalidade 

O abateu com um insight

Havia os pesares e seus labores 

Será que essa é a plataforma do pesadelo 

Forcei-me acordar, de súbito 

Lotado bagageiro dos pensamentos

Ouvi os pêsames da cama

Pelo esforço para que o olho abrisse

Era porta emperrada

E a cabeça carrega uma caçamba 

Os entulhos das elucubrações

 Excesso é o peso da consciência 

A madrugada cochilava 

Eu me postei de guarda 

*

SÉRGIO CUMINO 

 INVERNO REVERSO 



 


sábado, 1 de agosto de 2026

PORQUE ESCREVO

PORQUE ESCREVO 

 O desabafo começa salivando 

Sobre a folha branca do papel 

Havendo um atrito da caneta

Às incongruências do conflito 

 escrever como salto de rapel 

É o engodo da minha vaidade 

Fará heroico o ímpio 

Para que suas dores passem?

Sei que insanos desabafos

Secam as tintas do tinteiro 

O apelo havia excedido 

A lisura do bom senso 

Perdidos a saliva, o sopro e o bafo

Pelo menos luz acendeu 

Desespero da criança na tenra idade

O sentido da vida é saber irracional 

Racional a vida é um mal

A renuncia da razão 

Complexo como estômago vazio 

E todas as fomes do elenco 

Nas esgrimas das palavras 

Primeiras que esvaíram sem muito explicar

Foram as soluções fáceis 

Que foram negado versos

De consolos de falsas compaixão 

Porém de resto um amontoado 

De escritos como castelo de cartas 

Reflexão em prosas poetadas 

Num inverno reverso 

O leitor em desvantagem 

Como se quisesse levar alguma 

muitos creem ser verborrágico 

Inspirado em Heiner Müller

 Antes fosse. Se quer espero Godo 

Se algo me leva aos dois expoentes 

Reside a eloquente palavra silêncio 

Por onde vocifera o poeta 

Aliado da minha dor

Escrever para não enlouquecer 

O mediador na roda do caos 

Ressignifica o nada

Nessas corredeiras Vans 

Um confessionário de resenhas 

Hora me sinto Artaud 

Assassinando Deus 

Outrora mergulho em águas salubas 

A procura do conselho de Nanã 

Tentando me convencer não ser tolo 

Ser um Parsifal a procura do Graal

 E que de fato existo

Antes que Eu desista de Mim 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

A FILHA DO PASTOR


A FILHA DO PASTOR 

 A sombra cruel faz a luz absurda

Atordoada noite que não dorme

Delirava a filha do reverendo 

Intuitivo aponta, a fé desertou

Jogada ao abismo do sono profundo 

A distanciou do etéreo 

Foi quando colocou os pés no chão 

Percebeu, criaram uma ilusão 

E ela o rebento da família perfeita

A devoção de foro íntimo 

Quanto, camisola suada

Pelas as agruras do desespero 

Pois então a fé é externo a vida 

O dilúvio de desilusão 

A pregação era um negócio 

E ela o prego que sustentou Cristo 

A agenda do pai, não era de pastor 

De fariseus e seus algozes políticos 

Onde provem a questão e seus múltiplos 

fez do farto café da manhã indigesto 

caminho terreno carente de sentidos 

Nas ações dominical ensinam :

As conjunturas da vida materialista 

Prudência e observação 

Inteligência, ética e retidão 

Muito menos polarização Divina

Não era temática feminina.

 

Quanto ao homem de bem?

 a colher de chá rodeando a xícara 

Esse a hipocrisia o retém 

E os tornam perigo coletivo

 oportuno a junção dos polos 

E o diabo contabiliza os lucros 

 Esfumaça a interesse obtuso 

O subgerente da enfadonha conexão

Subverte a especulação do saber

Eis a questão: O que somos nós?

Sobre ideais e respectivos caprichos

Lamentos e suas frustrações 

O objeto da fé, fez dela um meio

Faziam acredita que a vil cognição 

Era a Importunação das respostas 

Eis que surge o caminho da “salvação”

A palavra e seus dogmas 

Armada pelos artefatos do bem 

A agonia lenta e crescente 

Desvia qualquer atenção 

Faz o saber parecer engodo

Da vida que não existia 

E a vereda faz-se velha

Os músculos ficam sem o tônus 

Os apelos perdem os pelos 

A boca alguns dentes 

Afugenta a complexidade metafísica 

Fecha um mundo de possibilidades 

Das curiosidades ocultas 

Calcadas na insurgência do espírito 

Cultuar a morte é um desvio óbvio 

Para que não olhem para os vivos

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

sexta-feira, 31 de julho de 2026

BASTIDORES

BASTIDORES 

O teatro a metáfora da vida

Na esperança dos atos

Na simbologia das máscaras 

Prólogo, o drama e o epílogo 

Vivida na sabotagem do melodrama 

Num conto de clímax e apatia 

Na metamorfose Kafkiana  

Ser o melhor aos olhos das pessoas 

Ludibriando o veredito 

O lisonjeiro intelectual e artista 

Diametralmente o oposto 

A decapitação racional 

Cai as partes separadas no cesto 

As subjetividades se afoitam 

Como se os sentidos das coisas

Limitam-se a sorrisos que confortam

Posto a razão acima do limite 

O cinismo passa a ser corrosivo 

Os risos a impertinência dialética 

 obsessão frágil atrás da cortina da ilusão 

A sobriedade mora na coxia

Na companhia do crânio inanimado 

Que contracena com Hamlet 

A performance peculiar do bastidor

Habita seu jogo de sombras 

Longe dos holofotes da cena

O drama toma a alma

Com o algodão e o demaquilante 

O crânio de gesso, tem mais signos

Que as minhas reflexões engessada

A caveira inanimada

A mais sincera filha do molde

Porque do outro lado da porta 

Uma plateia escura de cadeira vazias

Adormecem até o próximo espetáculo 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

quinta-feira, 30 de julho de 2026

RESSURREIÇÃO DO SUICIDA

 RESSURREIÇÃO DO SUICIDA 

João da Boa Morte 

Precisava se confessar 

E assim o fez

O sacramento escolhido 

Foi a uma pedra

Havia receio de absolvição de um padre 

Pior seria um crente de fundilho quente 

Derreter o gelo moribundo 

A pedra não, trás em si símbolos 

Afinal o suicídio já estava decidido 

A confissão era mero protocolo 

Do seu juízo final 

O rito não poderia ser bagunçado 

O que acabou se tornando 

O silêncio da pedra

Usurpou a paz celestial 

Memória da vida suicida 

Parece título de crônica popular 

O que desmonta todo pesar

A fatalidade já era íntima de velha ordem 

Somente o João que não se deu conta 

Não cabe mais apelo ao Divino 

A tempo que renunciara o espírito 

Mas já era morto antes disso

Foram tantas mortes 

que já tinha cemitério próprio 

Defunto traído, último saber ser morto 

Quase morre de desgosto 

Cortejou tanto a morte 

Contemplou sua dignidade 

Planejou as núpcias da fatalidade 

Absorto, descobre que é adúltera

Já o matara através de tantos 

Alguns ocultos, outros nas suas barbas

Sobre a alcunha de fases

Pensava ser agruras das incertezas 

Decisão pessoal , era novela pública 

E agora? A dúvida!

O que fazer com pensamento ?

 Deixa de ser intensão

Vira ironia de obituário 

Por uma nulidade existencial 

O suicídio de um cadáver vivo

Passa a ser um peso morto 

Desculpa o trocadilho 

A vida uma ironia efêmera 

Enquanto a morte é constante 

Agora o que fazer com conluio das partes 

E as cento e vinte laudas 

Da mais sincera condescendência

Inútil pensar em segundo plano 

Depois descobri que está nele

 O suicídio não está mais em questão 

O importante é encontrar a ressurreição.

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO