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quinta-feira, 30 de julho de 2026

RESSURREIÇÃO DO SUICIDA

 RESSURREIÇÃO DO SUICIDA 

João da Boa Morte 

Precisava se confessar 

E assim o fez

O sacramento escolhido 

Foi a uma pedra

Havia receio de absolvição de um padre 

Pior seria um crente de fundilho quente 

Derreter o gelo moribundo 

A pedra não, trás em si símbolos 

Afinal o suicídio já estava decidido 

A confissão era mero protocolo 

Do seu juízo final 

O rito não poderia ser bagunçado 

O que acabou se tornando 

O silêncio da pedra

Usurpou a paz celestial 

Memória da vida suicida 

Parece título de crônica popular 

O que desmonta todo pesar

A fatalidade já era íntima de velha ordem 

Somente o João que não se deu conta 

Não cabe mais apelo ao Divino 

A tempo que renunciara o espírito 

Mas já era morto antes disso

Foram tantas mortes 

que já tinha cemitério próprio 

Defunto traído, último saber ser morto 

Quase morre de desgosto 

Cortejou tanto a morte 

Contemplou sua dignidade 

Planejou as núpcias da fatalidade 

Absorto, descobre que é adúltera

Já o matara através de tantos 

Alguns ocultos, outros nas suas barbas

Sobre a alcunha de fases

Pensava ser agruras das incertezas 

Decisão pessoal , era novela pública 

E agora? A dúvida!

O que fazer com pensamento ?

 Deixa de ser intensão

Vira ironia de obituário 

Por uma nulidade existencial 

O suicídio de um cadáver vivo

Passa a ser um peso morto 

Desculpa o trocadilho 

A vida uma ironia efêmera 

Enquanto a morte é constante 

Agora o que fazer com conluio das partes 

E as cento e vinte laudas 

Da mais sincera condescendência

Inútil pensar em segundo plano 

Depois descobri que está nele

 O suicídio não está mais em questão 

O importante é encontrar a ressurreição.

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

 

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