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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

CADAFALCO DA AUTOESTIMA

CADAFALCO DA AUTOESTIMA 

Um sopro de luz

O faz perder impressões de outrora 

Melhor, caiu no julgo do bom senso 

Por desatenção se vê prostrado 

Justo a preservação se faz cadente

Dispensa a autoestima por impropérios 

Perde a relevância que parece ter

Passo raso que não cobre o pé 

Desvia a atenção da razão 

Poça vira lago onde supõe profundidade 

Tenta iludir o mergulho 

Estouraria a testa no lodo

Cabe aqui um asterisco ou aspas?

Diante do post da frase feita 

Quase caí no charme rarefeito 

Graças a ilusão efêmera 

E se perde com as rolagem 

Como fenda temporal da rede

Insuficiente para crescer fio da barba 

Não valeu a lufada do ar virtual 

Simples e desagradável mudança de rota

Faz o equívoco virar ficção barata 

Reduz-se a inseto da mesma espécie 

Para gelar os pés em estação fria 

A intuição esforçou-se no período frívola 

Eis o perfil do teimoso esperançoso 

Quem não tem nada de novo 

Terá tudo do mesmo 

Chances da fissura acanalhada 

princípio das náuseas existências 

Parece ter vagas de estimação 

Relação que deixa estômago enfadado 

Vem daquela que projeta 

O espelho somente para umbigo 

No silêncio a consciência o chama atenção 

Cultivar o masoquismo,

 se engana com que sabe 

As carências exercem

 sua força na confusão 

Relativiza a ressaca do mea-culpa

Faz da efemeridade ejaculação precoce 

Tão bizarra que não vale um verso

O reflexo mantém um palmo

 distante da púbis 

Inútil seria explorar o corpo

Sob as poesias de Eros

A quem perdeu a chance de ser mulher

No teatro da vida

O que importa é a catarse

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

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