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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

CORRENTES DO SONETO


CORRENTES DO SONETO

A corrente rompe no silêncio 

 Quando o equívoco do desatento 

Abriu-se o confiável 

O descaso esperava

Errou a medida do afeto 

Desespero não intuiu 

A indiferença fala pela quietude 

  e aprofunda o constrangimento 

Renuncia o apoio aclamado

Para não piorar o tormento 

A caridade é vertical

Solidariedade horizontal

Mas a calamidade lhe manda

A uma via vicinal, que revela becos 

E ostenta o que não parecia ser

Mas o drama tem seus códigos 

Quando expõe o estreito sem saída 

Ai a emenda piora no silêncio 

A periferia há outro ecossistema 

Onde o soneto se dissipa

Se faz a mudança do objeto 

Nasce o louco olhando pelos ombros 

Com a fatalidade dos argumentos 

Metamorfoseia os intentos 

O constrangido desata dos escombros 

Onde nada mais se explica

A ruína do arrependimento 

Bate a mão tirando a poeira 

A vida tem tocaias e rasteiras

A busca cai na armadilha 

Os olhos mudam na verdade 

E deixa no caminho o lamento 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO

 

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