A corrente rompe no silêncio
Quando o equívoco do desatento
Abriu-se o confiável
O descaso esperava
Errou a medida do afeto
Desespero não intuiu
A indiferença fala pela quietude
e aprofunda o constrangimento
Renuncia o apoio aclamado
Para não piorar o tormento
A caridade é vertical
Solidariedade horizontal
Mas a calamidade lhe manda
A uma via vicinal, que revela becos
E ostenta o que não parecia ser
Mas o drama tem seus códigos
Quando expõe o estreito sem saída
Ai a emenda piora no silêncio
A periferia há outro ecossistema
Onde o soneto se dissipa
Se faz a mudança do objeto
Nasce o louco olhando pelos ombros
Com a fatalidade dos argumentos
Metamorfoseia os intentos
O constrangido desata dos escombros
Onde nada mais se explica
A ruína do arrependimento
Bate a mão tirando a poeira
A vida tem tocaias e rasteiras
A busca cai na armadilha
Os olhos mudam na verdade
E deixa no caminho o lamento
*
SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO

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