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domingo, 2 de agosto de 2026

PLATAFORMA DO PESADELO



PLATAFORMA DO PESADELO 

Barrado na esteira da alfândega 

Apatia da solidão sepulcral 

Conforme os preâmbulos divino 

Da terra não se leva nada

Um paradoxo da pós vida

Justo eu que nada deixo

Se quer um legado fica

lembranças e 0a biblioteca roubadas

Se nem velório teve 

Nem vela, nem foro, nem cânticos 

Nem me vem com ironia 

Colheu o que plantou.

Parado por excesso de carga

O auto falante anuncia 

Um minuto de silêncio 

Primeiro vagão reservado 

É o embarque das crianças de Gaza

como se a gravidade despencasse 

Soterra as almas do ambiente 

O dilema elenca agora uma questão 

Quão pesado é o vazio 

 organizei a bagagem conforme os ditames 

Do nada ao nada 

Confirmado a legalidade do fato 

 que nem Deus carrego 

Pela obviedade de ser onipresente 

Até meus malfeitos foram remoídos 

pelo remorso e culpa, reduzidos a pó 

 se foi com o vento da redenção 

No período de reclusão 

Uma triagem terrena completa 

Pois então, sou eu a bagagem 

Recrudescia se iria de fato seguir 

Supus que o ministério do além 

Que mandou um burocrata divino

Nas leis do direito oculto

Haveria possibilidade de recurso 

Será um anjo divergente 

Pôs-me numa pescaria probatória

Prostrado e humilhado

Testemunho ocular no embarque de crianças 

Mortas pelo sionismo infame 

Na plataforma da eternidade 

Embaçado que pouco enxergava

De certo referente a idade

Contraria a juventude iluminada 

A morte não destrói a vida

Mas a vida apresenta controvérsia

 temente a Cristo com orgulho 

Será que aí que mora toda carga

O inverso seria amar em Cristo 

A doutrina endurece os sentidos 

Pesado a rotina das regras

Será que não é possível - dizia eu

Despi–me desse peso, me desfiz da ideia 

Há peso velado ao tabu da nudez 

Talvez seja um sectarismo ortodoxo 

Com os distúrbios da intuição 

A retórica um oceano sem fim

Já estou de passagem pela passagem 

E a situação de mau a pior

Não sabia quanto tempo passou

Nessa condição de imigrante indesejado 

Ou reflexo da noite mau dormida

Mas o que importa a alguém em vida 

Tanto tempo se desperdiçou 

Constrangida fatalidade 

O abateu com um insight

Havia os pesares e seus labores 

Será que essa é a plataforma do pesadelo 

Forcei-me acordar, de súbito 

Lotado bagageiro dos pensamentos

Ouvi os pêsames da cama

Pelo esforço para que o olho abrisse

Era porta emperrada

E a cabeça carrega uma caçamba 

Os entulhos das elucubrações

 Excesso é o peso da consciência 

A madrugada cochilava 

Eu me postei de guarda 

*

SÉRGIO CUMINO 

 INVERNO REVERSO 



 


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