NÃO HÁ LÓTUS SEM CAULE
O anseio colocou sua melhor roupa
Demorou no banho, iludindo a espuma
Sonhando pelo por vir
a ponto de sair de si e nunca chegar
Pediu uma audiência com o sonho
O mesmo sairá por aí a sonhar
Não disse quando volta
Restou o suspiro que se iludiu em vão
Ampliou a visão a ponto de perder o contato
Do que e de quem, por sinal estavam perto
O mistério devia estar no universo
Porém, não se viu na imensidão
A procura medonha o enche de tédio
Abalos sísmicos e sintomático
Aprende que o espiritualista não se vê na muvuca
No tumulto da esbórnia
Seu quartinho de feitiço é a cumbuca
Caso venha bastar-se a si
Salva a cabeça da bigorna
Livre como estar só
É o flerte de si e sua anima
No deleite dos seus prazeres qualitativos
Enaltece a prece que a poesia nos faz
E as contrariedades
do bom tom com o bom senso
E o insidio de velozes e perigosos
Conforme suponho
Estima-se suas curumelas
Sobre a Letargia dos ébrios
E a liturgia dos óbvios
E o porre se repete ao estado enfadonho
Pede paciência as nuvens
Brandas se foram e o deixa pra trás
O que acontece com aquele que supunha?
Refaz seu caminho as fábulas
Entre os maltês e delírios
Não é um bico de sinuca
Deixa a ânsia embriagada
Anestesiando a espera
Onde reinará a deriva
Num lago de suores
Por uma gota de sucesso
*
SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO







