Somos marcadores de página
Uns não saem do sumário
Marcadores inveterados
Marcando bobeira
Outros, sonhadores de asas
Gastam suas sandálias na jornada
adentra a porta do desconhecido
na esperança de se encontrar
*
Quando o leitor, concede ou perverte
Conforme o receio que dar-se, a ler
Cujos impropérios das rusgas
Se quer define a divergência
Síntese do gosto e desgosto
Crítico de orelhas
São ruídos a inteligência
Sabido o medo da mudança
Torres desabam, desapegos rogam
*
Não será o mesmo no retorno a caverna
Vá que as frases engulam como baleia
Provocado pelo efeitos do maremoto
Ou defeito, fica a gosto do leitor
Inibe o pudor da cognição
Com o chamado à luz e sombra
Deveras sejam ostensivos
Da um rubor generoso a benevolência
Encabula a perspectiva
Chegando onde não imaginava
*
A íris grita da proa
- Ilhas literárias a vista
La verá a alma de sua pessoa nua
Ao se encontrar com versos de Pessoa
Posta em rede pública
Despudorada e comedida
Mas com o julgo impreciso
Sendo que dentro de si precisa
Ha equivalência do amor e ódio
Em conluio com Eros e Thanatos
*
O marcador desregulado
A razão e a lógica debochando
A indulgência é mais inconsciente
Do que ser servo de algum propósito
Apenas busca de ar do que comenda
Diante da tormenta, melhor não comenta
Portanto ela se quer leve
Mas dá um pitaco na consciência
Há tantos que assanha indiferença
Se quer constam na cesta poética
*
Outros marcam ponto na sombra
Sem saberem ser rota de artilharia
As quais a poesia aponta a flama
Da dialética quixotesca
Marca da jornada do herói
Enquanto os embutidos
Espiam solenemente do armário
Já os que distanciam de onde pararam
A partida vertical mergulha
*
Para se banhar deles mesmos
Como poções metafísica
Fazendo do observador observado
Do marcador um ser marcado
Escrito o caminho certo por linhas tortas
Somos poesia do mesmo oceano
As couraças que o poeta despe
É um convite a nudez coletiva
E tornarmos a vida mais leve
*
A dor e o amor verossímil
Semelhanças da vida literal
O simulacro abarca a ficção
Tira o leitor marcador passivo
Desnuda-lo às águas turvas
Para prazeres límpidos
Marcado por uma reflexão profunda
Paradoxo que apura a alma
Acasala sonetos com a anima
O marcador vira traças-prateadas
Que enriquece na idade de ouro
E um lisonjeio a quem despe a palavra
*
SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO

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