LEITO DA NOITE
Segue a noite afora
E o sono nada
Teve uma hora
Calafrio prevê
O Silêncio a capela
A sombra se mostra
Cerrada e calada
Névoa que se abre
Movimento lento
A mente sem marola
Há trégua das dúvidas
Ao enigma do evento
Não sabe se é manto
Ou uma toga
O vulto não prosa
Noturna no tempo
A eloquência posa
Contrasta facho luz
A lua vem de fora
Nenhum cão ladra
Respeito dobra joelhos
impera madrugada
Leito de casa
No leito da água
Profundo sagra
É velha senhora
mãe das águas Consagra
Ostenta o quietude
Que diz sem verbalizar
Encontro do doce e salgada
É lá que ela mora
Divisa dos reinos
Das Yabás das águas
Presente sem tumulto
Só e bem acompanhado
A mando de Oxum
Deitei na cama
Adormeci no colo
Senti a vida
Ternura é senhora
Desfaz imbróglios
Um por um
Sonhos a deriva
Deu me a bença
E foi embora
SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX

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