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quarta-feira, 8 de abril de 2026

BEIJO A SUA FLÔR

 

BEIJO A SUA FLÔR

Sonhei que beijava sua flor

Era um beijo gostoso

Um dengo a amada

E suas coxas acariciava

Entrelace e contrações

Deveras desejosas

Minha fome de você

Doravante insaciável

Seios tesos

Alertas em prontidão

Apontado ao lustre

Prontos a boca amada

A testemunha ocular

Dessa recíproca melada

Abraçado por suas pernas

Engolia com volúpia

A língua carinhosa

Que a sorvia com prazer

Calcanhares assinava

Abaixo das vértebras

A poesia vivida, suada

Molhava o amálgama

Ao som de onomatopaicas

Gruídos, gemidos e suspiros

Impulsiona o meu sorver

Diafragma se contraí

Respiração ofegante

Pedindo mais, não para

Num frenesi contumaz

Amassava próprio rosto

Violava, cílios, Baton,

E tanto mais

Desmancha o penteado

Corpo ressignifica

Como se os poros

Gritassem de prazer

Aos quatro cantos de Eros

Até o tempo gozou

Num êxtase atemporal

Lençol em surreal desarranjo

amaçado em suas mãos

Como se o algodão

Se transformasse

elegir do amor

Ah e a prosa gostosa

Que embebedou olhos

Resenhas que se desenha

Nos envolve entre colchetes

Penetra se entre parentes

Despimos as aspas e vestes

Roçando – nos, nus

Assanha a seda da pele

A pausa da antessala

Do beijo apaixonado

Frisson acumulado

A escolha dos laços

Lingerie vermelha

Ou rosa, nem sei mais

No momento programado

Rendas abandonada

Aos pés da cama

Pela entrega reinante

Na batalha amante

Que só se rendem

A fadiga apaixonada

SÉRGIO CUMINO – POETA FLOR & PELE


LEITO DA NOITE

LEITO DA NOITE 

Segue a noite afora

E o sono nada

Teve uma hora

Calafrio prevê

O Silêncio a capela 

A sombra se mostra

Cerrada e calada

Névoa que se abre

Movimento lento

A mente sem marola

Há trégua das dúvidas

Ao enigma do evento 

Não sabe se é manto

Ou uma toga

O vulto não prosa

Noturna no tempo

A eloquência posa

Contrasta facho luz

A lua vem de fora

Nenhum cão ladra 

Respeito dobra joelhos 

impera madrugada 

Leito de casa

No leito da água

Profundo sagra 

É velha senhora

mãe das águas Consagra

Ostenta o quietude 

Que diz sem verbalizar 

Encontro do doce e salgada

É lá que ela mora

Divisa dos reinos

Das Yabás das águas

Presente sem tumulto 

Só e bem acompanhado 

A mando de Oxum 

 Deitei na cama

Adormeci no colo

Senti a vida

Ternura é senhora

Desfaz imbróglios

Um por um

Sonhos a deriva

Deu me a bença 

E foi embora 

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX               

segunda-feira, 6 de abril de 2026

PORQUE PERGUNTOU?

PORQUE PERGUNTOU?

Ignora o mal que faz 

As felicitações sagazes

Recheado de bençãos 

Cheio de bons sentimentos 

Que falseia o amigável 

Glossário dos simpáticos 

“Tamo junto” 

contração de estamos

Significa nunca estivemos 

“Vai melhorar, tenha fé”

Culpando suposto infiel

Travestido de messias 

Encarna o cínico 

Que nem sente

  Olhares Falazes 

Com postiços cílios 

Corante facial 

O engodo com blush

-Se não fosse o batom 

-Daria um beijo pra sarar

Camufla aversão que sente

Cético a dor alheia 

Faz o Subjetivo sagrado 

Lança procuração 

Assinado pelo Dunha

Para Iludir a mão projetada

Pra não ficar feio

Terceiriza a caridade

Já que Deus caiu 

no domínio público

Lança fatura ao céu 

Hipocrisia no colo divino 

Solidariedade “démodé

O padrão burguês 

Sair a francesa 

Teatro do engodo 

Tem péssimo atores

Numa comédia dantesca 

Os tapinhas nos ombros 

E seus avatares

Arcados desorientado 

O corpo caído 

lhe serve de capacho 

Fraudando a empatia 

Caridade vertical 

Benevolência tóxica

A ilusão cai em ruínas

Com amarga angústia 

Na solidão do travesseiro.

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX 

                              

sábado, 4 de abril de 2026

PRECE AO CORPO AVARIADO

 PRECE AO CORPO AVARIADO

Tônica e as dores

Que grau insuportável

Da paciência

Tonal em descompasso

Nem a clemência

Modera o suor frio

A ânsia intermitente

Rogo a Omulu

Que suas palhas sagradas

Elimine todo martírio

Dor e inconsciente

Instala a catarse

Inspira e expira

Equilibra o maremoto

No colo de Iemanjá

Desinflame o inflamado

Para o tônus respirar

Corpo amado poder amar

Suspirar os passeios na orla

Pés na marola

São anáguas, vestes do mar

Rainha vem lhe abençoar

A mais bela das filhas

Me fez devoto dos encantos

Eu , orixás e os santos

Congregam para melhorar

Nessas linhas tortas e dolorida

Há de substituir dores por cores

Até a moça, cuidadora exemplar

Evoca Yamin para mistério de cura

Que pediu a Oya , que seus ventos

Leve a dor, e lhe tire dos tormentos

Os Ibejis não deixaram desanimar

E comemoraremos

Com lua, bolo e guaraná

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX


sexta-feira, 3 de abril de 2026

ESTIGMA DA TRILHA

ESTIGMA DA TRILHA

É meu senhor me sinto melhor 

Porém não consigo tirar 

a corda do pescoço

 com formato temerária

Que fez da horária,Fardo 

Carga invisível 

Contudo presente 

Nesse dilema pela vida

E a dúvida intermitente 

Entre a cruz e a espada 

Peço uma cadeira pra sentar

Para descansar os remorsos 

Que não larga do meu pé 

E nem ruptura do paradigma 

Sabe se lá onde foi criado

O novo pra ser reparado 

Onde armam tocaias 

Fica no mal fadado 

Cole ao lado dele

Se não ele vai sozinho 

Da sentido as avarias 

Permanece minhocas semiótica 

O coliseu da cabeça 

Estigma ostensivo 

Para ser visto 

Òrun desenhando 

Sinais na terra

De bom pai

Na areia de Iemanjá 

Gaivotas percebem o medo

Camuflado de força 

Para enganar o desespero 

Onde enfrentar 

Os jamais 

Para preservar 

Bússola do bom senso 

E todo seu elenco 

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX  

                            

quinta-feira, 2 de abril de 2026

BEIJOS PAIXÃO

BEIJOS PAIXÃO 

Beijo paixão 

Sente o peito esquenta 

É o beijo de coração 

É beijo de graça 

Acarinha o espírito 

Alinha as batidas 

Em tempo e contratempo 

Para nossas almas dançarem 

E as tensões dissipam

Com sussurro do vento 


Beijo paixão 

Beijo devoto, devoluto 

Profundo fado

Convença o bruto

Beijo lapidado 

No terceiro olho 

Olha para lua 

Ela olha de volta 

Ao gosto do intuitivo 

São traços do sagrado


Beijo paixão 

Não foi crucificado 

Legado é a entrega 

Beijo que causa

É o beijo da causa

Utopia beijando 

Para dar sorte 

Na sua jornada 

Aproveita beijo lento

Beijo soprado 


Beijo paixão 

É beijo intencional 

Para que lado de lá 

Sinta beijo chegar

Divino tempo

É testemunha ocular

Quando a prece prosa

É a pedra do amor

Destaca seu altar

No Quartzo Rosa

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX  

                           

segunda-feira, 30 de março de 2026

MÃE ÁGUA

 MÃE ÁGUA

Canta a cabeceira

Para espuma dança

Há tanto segredo nesse espumar

Faz do encantamento pequeno

Perto do que tem a cantar

Escorre sagrada

De encontro a pedra

E as pedras de Ayrá

Do salto da cachoeira

O Oxé banhado

Percussão molhada

Choque do cascalho e a água

O véu se teve ,

Quando tudo , um ventre

O sorriso da mãezinha

Desce rente, aflora bela

Abraço aos Otás

E as madeiras que encontrar

Ápice do encantado

A rota se segue

o rio solta marola

Para respirar

Alerta aos atentos

Como rocha contornar

Caravana encantada segue

Leva a mente repousar

No seu leito

Divã astral

Para ir a fundo

Submergir em si

E se encontrar

 em novo mundo

De um novo jeito

Até o rio não é o mesmo

A benção naval,

Ondas paradas

Formam palavras

 o rio de crenças

Alegria e afeto

Acolhe, ribeiro, pescador

Canoa passa na ribeirinha

Que preta Velha, reza lá

Quando lua cheia

Reflete em águas límpidas

Espelho do seu sonho.

E a busca do amor

Céu estrelado de resenhas

Na calada da noite

Oxum se cala

E as águas , escuta-la

Porque o silêncio fala

Que verá

Onde seu rio vai chegar

Porque Yabá, não repete caminho

Não depende da liturgia

Seu ouro não enferruja

E margens de esperança

Dessa mãe sou criança

Criado na poesia

SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ


domingo, 22 de março de 2026

APALPADA POESIA

APALPADA POESIA

Poesia nas palmas 

Carinho romântico

Começa pelos pés

Aquele que labuta

E empurra o chão, 

merece um par de mãos

Que Esculpe poesia 

Nas laudas da sua pele 

Massageia até virar conexão

Relaxa o corpo todo

toque seduz com insinuação

Inspira, libera em prosa

marolas de quereres

Que reverte em versos

Ondas de vontade 

Saltitantes e atiçadas

Excitada circulação, 

acende os circuitos

Seca os lábios, 

Provoca a libido 

acorda os mamilos

Corada e molhada

A entrega em plenitude, 

Murmúrio escapa

-: não pare, tá bom demais

Suspiros , ares de desejo

Sermos, goiabada com queijo,

 e tudo que a lembrança busca

Música ofegante, se altera,

  entre o céu e a terra

Cócegas se manifestam

 na sensível panturrilha, 

é o nervosismo gostoso, 

do primeiro ato

Garras do desejo

 envolvem as coxas , 

Sobrepostas ao lençol branco

Como folha de papel

Onde prelúdio se escreve 

que carregam a linha da vida

De acordo com andor, 

o calor do amor

Nádegas nua, é minha lua

Na constelação de desejos, 

provoca os sonhos,

A pausa do toque

A causa e efeito 

abre alas pra suave mordida.

E pede para ser comida

 escapa a revelia

:- aí que delícia 

Retórica do quero mais

Antropofagia dos amantes

Adorando, ser nave dourada

ninho e amor da Deusa.

Confessa querer ser a presa

 dessa prosa esculpida

Entrega as mãos que falam 

Reinventa, experiência amada,

 e de quebra, escorrega 

sobre as vértebras

Teclando notas musicais 

Árias sensuais 

Uma opereta intima 

Dança do acasalamento 

E a coreografia das omoplatas, 

revelam a vulva molhada

Ela canta onomatopaicas prazeres, 

 rimam com quereres, 

de uma mulher apaixonada

Os ombros se despedem 

das tensões sem saudades

Sente-se nova versão de Gaya, 

ronrona como gata, 

instintos celebram

O pescoço recebe a língua, 

na lambida ousada

Cabeça em nuvens , 

 em primeiro plano, 

a suavidade expressada, 

Por um – Eu te Amo!.

 SÉRGIO CUMINO 

POETA – FLOR & PELE





      

                      

sexta-feira, 6 de março de 2026

URBANO EREMITA

URBANO EREMITA

O relógio subtrai 

E o tempo se vai 

a desordem subverte

Juntos derretem

O pensamento perdido 

as folhas não se mexem

Na árvore em frente 

O vento parou 

não quer conversar

O isolamento atrevido 

Está parado no ar

amigos não entendem 

Amores nem pensem

vazio da hora Grande 

Que virou companhia 

E a lua cheia na noite 

No peito minguante

Vagando, tantos porquês 

Seleciono arrependimentos 

Cabimento ao injustificável 

Conforme o gesto solidário expressa desconcertado 

- que no fim dá tudo certo 

Então chega mais perto 

Do término das possibilidades

Para ouvir o discreto 

sussurro do vazio

E como é que pode 

O silêncio explode 

um cogumelo de dúvidas 

abandono briga com sono

Quando deveriam rimar 

Uma vaga lembrança 

De uma cantiga de ninar 

E notas de amor materno 

E a gélida confusão 

É subsala do inferno

 ausência do fraterno 

Perde a noção do afeto 

E nada está perto 

A qual pode se apegar 

Uma jornada sem suporte

A fé lhe desafia 

Em seguir ou sentar na guia 

Já não importa o que passar 

E o bornal malhado

Já não tem suprimentos

Surrado como sapatos 

Da caminhada que perdeu 

A relevância do destino

Cortinas da neblina 

Faz Horizonte perdido 

Se contar ninguém acredita

Da caminhada arredia

 do otimismo avariado

Do urbano eremita

SÉRGIO CUMINO -DO PÓ À FÊNIX