ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

quinta-feira, 7 de maio de 2026

SAIU DOS CARRIS

SAIU DOS CARRIS

Será que foi um surto?

Ou apenas um susto

Desarranjo do lapso

Paria do colapso 

Ao acaso da criação 

Parece um paradoxo 

Mundo muda, 

Na distração dos olhos 

Juro, essa pedra que sou, mexeu

E minha existência descarrilou 

E agora não sei, parece eu

Como desenfadar o fardo 

Sem saber o que foi ou ficou ?

Que parte sobrou

Se o que virá completa

Ou se não comporta 

Agora quebrei ou desconcertei 

Resolvi pensar conforme a música 

Talvez descubro o movimento 

Que alimenta o entendimento 

Fluiu tão belo no pensamento 

Quando dei conta se foi

A linha do raciocínio fugiu no trem

E a cognição fingiu de mim

Mas deixou a esperança 

Desconfio que seja brincadeira 

Pique esconde de criança 

Agora eu fui longe 

Mas não devia ter deixado 

Sair de perto 

A inocência se perdeu 

em alguma estação 

A procura dos sonhos 

Enquanto arrumava Camu

Para pensar a existência 

E a liberdade do absurdo.

SÉRGIO CUMINO – ABRASA A FÊNIX 

                        

quarta-feira, 6 de maio de 2026

CÔMODA E O CÔMODO

 

CÔMODA E O CÔMODO

 A cômoda se incomoda

Acomodada no canto da mente

Onde coça a dúvida

Longe do sonho

que ficou na gaveta

Junto com as meias

Que mancharam de velha

Pisadas de meias atitudes

Moderando onde pisa

Descômodo rui com tempo

Sol só entra pela janela

Ao bom grado das cortinas

Manchas que deixou sinal de vida

Comodatário da esperança

Como antes era rubor

Que desejo assanha

Hoje as torres do entorno

Tamparam os raios

Mandaram a sombra

A comodidade não fez notar

Nada comovente mas curioso

Espelho que deixa saudades

Não lembra dele quando novo

Tantos sorrisos com a dança

Da escova e os cabelos

A idade derruba os pelos

Reflexos profundos ,guia os olhos

ao caminho das lágrimas

dúvidas que a sobrancelha

Confessa no íntimo quarto

Pela mesma fresta

que a cortina deixou

 Vê o passeio das estações

O verão da barba de espuma

Pelos , que a fantasia criou

Ao capitão da flotilha

Um altar dos sonhos

que a mobília guardou

foi se carcomida por dentro

Pelos cupins do medo

Terá um novo móvel de canto

Com melodias novas

Que retrate novos tempos

Ou tudo acabou

A cômoda sem comodato

Sumiu junto com cômodo

Para moderno estacionamento

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX


terça-feira, 5 de maio de 2026

PALCO ANCESTRAL

PALCO ANCESTRAL 

De árvore paoba

Agua, Vida preservada

o arquétipo à cena

Tablado de resenhas 

madeira ancestral 

Opom-Ifá da vida real

Ator procura Oráculo 

E o calor movimenta

Entre nascer e o pôr sol

A noite o mistério conta

três atos surge os ocultos 

No clímax o indulto 

E religuei o coração 

Ao sagrado feminino 

Passagem de cena

Do drama atemporal 

Sou vítima e carrasco 

Atuação canastra 

Ritmo e suas indúcias

Numa soberba servidão 

Tempo esperando engodo 

Vaga pelo contraditório 

Com desejo e obstáculos 

Numa arena dos dilemas

Do realismo fantástico 

A sombra toma a ribalta 

Num dueto com a luz

Público de olhar vago

Se dissipou com a névoa

Nesse palco sem cortinas 

No centro do peito

Três batidas, toc toc toc

Nasce a aventura

 Expectativa em silêncio 

O anti-herói no aceno cênico 

enredo sem cortejo

Contada sem talento 

No proscênio, ansioso 

o epílogo de cada ato

Anunciando o novo

protagonista se perdeu 

No mito Prometeu

Com enredo coadjuvante 

 antagonista é o absurdo 

Relação dele mesmo 

De frente sem prólogo 

Melodrama do jogo

Cheio de vontade 

Cheio de sonhos

Enchendo se do outro 

Teatro e seu duplo 

No solitário monólogo 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                             

segunda-feira, 4 de maio de 2026

O OVO DA FÊNIX

O OVO DA FÊNIX 

Os rincões da saída

Uns deixo para trás 

Antes da astúcia nascer

Outros de amargar

Remediando a lida 

Numa dessas paragem 

Câimbras nas pegadas 

Visão com deficiência 

Que contorce a história 

Pelo engodo factóide 

Na era da paranóia 

Como entender

o que a voz me dizia 

Soprano com a sanha

Que se perde ao fundo 

Que se distância 

Voz que afeto conquista 

Sabedoria nítida 

Cantando como pássaro 

Que não é dessa banda

Mas a melodia é íntima 

Cantoria de outro soprar

Dueto do rio e maresia do mar

Ressignifica toda a lida

Força de duas magias 

Cantarola simpática 

A senhora de enigmas.

Logo na portinhola 

Início do movimento 

Mistério e o cabimento 

Do divisor das águas 

De nenhum lugar 

De lugar nenhum 

Brisa a mente, esquece a senhora 

Com a chaleira na mão 

Era alecrim e outra erva do pote

Além do fundamento 

Da sentido ao corpo e espírito 

A delicadeza e elegância 

Que encaminha a cuia 

Projeta aurea dourada

E com ela trocou me em rito 

amuleto dos ciclos 

Existência e seus princípio 

Abrasador do novo fogo.

Estalos da mente

Insights quentes

Antes da forma

Arte e fé em ebulição 

O ovo da Fênix 

Quebra a casca 

Ao passar portinhola 

De cuia na mão 

Ela ajuda sair do ovo

Nu sem couraças

Tira a casca e mel do quiabo 

Pelas mãos anciãs 

Quebradas da noite 

A poesia e inversos

Do que foi em si

Com restante da chaleira 

Fortalece o Ori

O banho da mãe terra

Para os pés caminhador

Eram seis da Alvorada 

Abre o Odu da jornada 

SÉRGIO CUMINO – ABRASAR À FÊNIX 

                                  

domingo, 3 de maio de 2026

PAPEL E CANETA

PAPEL E CANETA 

São testemunhos oculares 

As juntas do rito

Lamparina e noite fria

Gatas se aconchegando 

Ao calor que o corpo partilha 

Respira a intuição do anima 

As folhas brancas se doam

Em posição ao mito

marcadas pelo equívoco 

Amassada e jogada no lixo

Com desencontro das resenha 

O acerto se desenha

E a que recebe a marca 

vinda do infinito 

Na construção do herói 

Estrutura e mito

Vale que lhe valha

Todo aquele que lhe venha 

Esferográfica solta a tinta 

Pinta um ponto da memória 

Dá-se o início nasce o caos 

Ao ponto dos pontos do legado

Em confronto com os biográficos 

Feito o sumo desse caldo 

Banhado a ficção 

 portando maquiagem 

Narrador com cheiro 

De documentos de grileiro

 Paramentos da criação 

A vida imita a arte 

No tablado do absurdo 

Com recursos semânticos 

Da jangada aristotélica 

Os lapsos seletivos

Na lista de hábitos 

Personagem e o criador .

No delírio do Narciso 

Estética do sincericidio 

Expressionismo nonsense

Da cara de paisagem 

Em memória póstumas 

Vale a vista ampliada

Da sacada da montanha mágica 

A caneta dirige sozinha 

O autor se entrega a viagem 

Graças ao Oxorongá

Que pousou na árvore seca

Aroeira morta. Fez se espírito 

Para ser caminho do recado 

Que a mãe terra mandou 

As corujas conselheiras

Das matrizes ancestrais 

Fizeram um preparo 

Do livro do seu destino.

Que a palavra prospere

a força de oriki rezado 

Porque o Ori é abençoado. 

SÉRGIO CUMINO – ABRASAR FÊNIX 



                                      

INSÔNIA NUMA NOITE DE OUTONO

INSÔNIA 

NUMA NOITE DE OUTONO 

O que escuta atrás da porta?

Ela dá saída ao buraco negro

Ao oculto da memória 

Ouve! (Pausa dramática )

Não escuta nada. 

 chegou e nem deram conta

Houve um espaço atemporal 

Tempestade de pedra de raio

Tamanho mal jeito anfitrião 

Confuso com a comitiva 

Dessa vez o nada não veio só 

Trouxe com pouca bagagem 

o conselho do silêncio 

Se manifestara com aquietar

Do tudo junto e misturado 

E a vergonha verborragia 

Que a consciência escondia 

O Eu e o plenário das sombras

Para descobrir o eu próprio 

Paradoxo do trovão 

Trás dúvida e premência 

Porque da convocação 

De tantos de mim,

Pelo amor de Deus?

Transcende o medo 

Nada de resposta 

Porque se Deus é Tudo 

Deus é o Nada

Quem é na fila do pão 

Centelha do trigo 

Perdida atrás da porta 

assembleia é o tempo por nada.

Sem vir as estações mudarem

O capitólio e o sabatinado 

Bancadas místicas e céticos 

Respondem pelo alvoroço 

Pena de Sísifo muda de regime 

Sem garantia , como a vida

Para deixar a pedra na montanha 

Hastear bandeira encantada 

E o universo não responde 

O sentido não tem o que fazer 

A ação está contigo 

Acha um absurdo 

Resolva com ele

Está na comitiva 

Sagrado seja Os olhos

 Revolta dos inconformados

Bandeira que vibra a existência 

Assusta por ser branca

Contra o delírio dos consolos 

É para se livrar desse bolo

 a união de todas luzes de cores

O gradua a ser o autor

Com a lamparina para vazio 

Sem desviar os olhos 

Provocação filosófica 

Flâmula é a tela

Para Ressignifica a porta 

A da chegada alvorada.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 

                                     

sábado, 2 de maio de 2026

CICLONE

CICLONE 

Não se apega a estigma 

Porque a razão faltou 

Apenas uma vertigem 

Por ser verdadeiro 

A angústia de pronto 

assume o posto 

Pois é seu moço 

Caminho reto

Em entradas tortas

A recíproca também é verdadeira 

Muita atenção nas encruzilhada

conveniência tem suas arapucas 

À prender no estaleiro da resignação 

Por isso, cuidar de si é uma arte

Tantas possibilidades em redes

Cujo balanço ilusionista 

Enquanto o desespero 

O espera no beco 

Para sabotar a existência 

 Brado! Brado! Ayrá Lê!

Grito da fé acudindo a carência 

E logo pede audiência 

Persistência e a teimosia 

Ansiedade da intuição 

Que busca brisa

E descobre se na devoção 

Em ser cavaleiro andante 

Com machado em punho 

Evocando o ciclone 

Que o despe do coletivo 

Para vivenciar o mistério 

E suas litúrgicas matrizes 

O oculto inculta a radiação 

Pelos vibram e chamam 

Os arrepios intermitente 

Ori a bulir com a clarividência 

Até a paciência em transe

Sem o bojo comprimindo o peito 

E as coronárias do Destino.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 

  

                               

PELAS BARBAS DE AYRÁ

PELAS BARBAS DE AYRÁ 

Não sou paladino do caos

Apenas um poeta 

que não quer ser descoberto.

Pela ventania do campo aberto 

Com a chaga as claras

Quero ser eu nessa jornada 

Sem o riso da piada intencionada 

Âncora do benefício do tolo

Do escárnio do outro 

Livrar se dá cama de gato 

Para ser o leão 

sai da Fênix e encarando a sombra

E que o urro chegue a boca

Sem se perder em tempos verbais

Quanto mais sobe

Mais o ar rarefeito 

E o entorno desabitado 

Ortografia corrompida

Preconceito da narrativa 

o murro chega ao estômago 

Da tocaia do cancelamento 

Aí restarão as flores 

Do túmulo do cabimento 

Não ser o leão morto do dia

e seguir pelo Odu do livramento 

 Às barbas do conhecimento 

Põe de molho no mergulho a alma 

Onde se lapida a ternura 

Como pedra filosofal

Na brandura do ancião 

Tantos contratempos até então 

Foram pausas de reflexão 

Nos becos da memória 

Com a lamparina Eremita 

Dessa prosa vivida 

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX                        

sexta-feira, 1 de maio de 2026

MARIA MULAMBO

MARIA MULAMBO 

Atendeu o abdicado

Porque já abdicou

Atravessou a ponte 

Viveu as mazelas 

Dos guetos mundanos

Da queda sem trégua 

Do virtuoso ao vulnerável 

Do humano ao intolerável

Do amor não respondido

Do orgulho ferido

Na lixeira do acaso 

Vem a magia do afago 

Confunde o delírio amargo 

Da nobreza a existência 

Há quem havia esquecido 

A vibração que limpa 

A luz para ver o espírito 

Da mácula marginal 

Reverência a anciã 

Das águas salubre 

Da lama a cura

No resgate do invisível 

Ponto cego da lixeira 

Na noite lúgubre

A força da elegância 

Contra alcunha do abandono 

Nos becos sem donos

De bocas sem vozes

Na autocracias nobres 

Descarte de humanos

A cinza do âmago 

É o resgate Maria Mulambo 

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX