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sábado, 4 de julho de 2026

CEIFOU A PAIXÃO

   

CEIFOU A PAIXÃO 

Razão atormenta a paixão 

o cárcere de seus padrões 

Renega a intuição 

Pela sombra da sina

Onde regras não se aplicam

Faz justo, erros antigos 

E joga sonhos na latrina

Passado é a caminhonete velha

Empurrada por seres ausentes 

Que atropela o presente 

Traz na carroceria 

Contratos de receios 

Alguns verbetes da moral

Barril de água 

Para apagar fogareiro 

Cimentando o anseio 

E o sonho a revelia 

Em nome do rancor 

Aprisiona o desejo 

A sete palmos, quem diria 

 De rusgas da castidade 

Deixa de amar 

por temer o amor

Pintando o quadro lúgubre 

Para justificar a dor

Racional e justificado 

Desintegrando o passeio

Por Ladrilhos do medo 

Elimina do destino a cor

Pelas rugas do mau feito 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO- FUSCO 



terça-feira, 30 de junho de 2026

AMANTES DEVOTOS

   

AMANTES DEVOTOS 

Quando momento, faz eterno

Celebram com a taça de vinho

Sou jardineiro que se assanha 

que pelo jardim caminha

Despe-se com rubor, sem pudor

Dando sentindo ao que germina

Sentindo roçar pelo seu corpo

Como pétala magia do amor 

Sendo toda poesia, felina, e flor

Ressignificando desejo interno

Floresce a arte num impulso louco

É deusa do meu mundo pagão

 É poetiza no movimento 

poesia na alma 

E bela eterna

Que fez pulsar o amor

Como alça que deixa corpo solto

Que agita meu céu e inferno

Potencializa meu calor

Prelúdio do primeiro ato

Da às letras silabas sabor

Iluminaria de luz interior

A Ribalta da Musa é a palavra

 Desejos e poesias viram ato

Seu corpo um balé intuitivo 

Universo canta na entrada

Acelera os sentidos 

Resguardo do sonho querido

Como relíquia no baú do peito 

Para quando distância revelar

A saudade será pura evocação

Ao brinde aos nossos sentidos 

O cada gole que se referenda

Brinda espíritos que nos protege 

Fortalece a anima aqui no peito

Refresca a alma como menta

Dando a letra do gesto meigo

Carinho seja o bem feitor 

Relativiza o tempo de cada dengo

Que eu seja o mito da sua sina

Tornemos a lenda dos amantes 

Devotos a Deusa do amor.

SÉRGIO CUMINO –

LUME LUSCO- FUSCO 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

SONHO QUE IRRIGA

SONHO QUE IRRIGA 

Semente na vida planto

A bela, que dilacera o bruto

E revela as sutilezas do âmago

O sonho aparece num susto

Rogava em preces sua vinda

Alquimia faz do poeta bruxo 

Eis que surge, intensa e linda

Como um banho em ritmo blue

Personalizo o sonho que trago

Cordas e gaita celebram alvorada

o desejo de norte a sul

Não há tempo é amada

O que busco, surge à frente

Amplia-me o olhar e a mente

Onde o sentido e o subjetivo

É belo em tudo que se sente.

São quereres de principio ativo

o corpo e formas eloquente

Aconchega a noite e o ninho

Faz de mim, ereto e vivo

A divagar no tempo e espaço

 filosofia do amor e seus anais

Mergulha no mito profundo

O que vem dela há em mim

 nela existe meu mundo

 Elencamos principio e fim

No cosmo somos decimais 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO- FUSCO 


 

VEIAS DE OXUM

VEIAS DE OXUM 

Águas veias coronárias 

Desce pelas brumas serranas

Cujo ventre é mãe terra

E cortesia balneária 

 o mergulho d’alma minha

És cosmo assim como anima

á no mais absorto canto

Todo fio que se personaliza, 

Onde bebe-se a flora e fauna

E toda mitologia lendária 

É bença que abraça terra

Entorno todo germina

Sobre a as formosas matas 

Oxalá envia nuvens brandas

Próximas ao céu a serra

Veste o véu da neblina 

E frescor é seu clima

Toda ser é célula divina

Oxum a força que germina 

Espalha- se discreta 

Para alimentar ribeirinhas

Águas puras, magicas ,límpidas

Hidrata não só corpos, alma

 É a essência de nossas vidas

SÉRGIO CUMINO 

LUMO LUSCO- FUSCO 

ATÉ QUE PONTO?



 ATÉ QUE PONTO?

Coloquei na boca da poesia 

O gosto amargo da agonia 

Talvez dívida de aprendizado 

Indo direto ao ponto 

Bate e rebate 

Como uma tecla de piano

Melhor duas para emparelhar 

Com os neurônios 

Os outros queimaram

Engasgado minimalista 

Até o ponto de interrogação 

Já íntimo as divagadas

guarda- chuva sem capa 

Se está na tempestade 

É pra se encharcar

já foram Intermitente

Quando se ancorava a esperança 

Agora ríspidos e avariado 

Uma dúvida apática insistente 

Até as preces encaminharam 

A uma entrevista com divino 

Claro que nada aparente

Preserva a persona mesmo gasta 

Diante da inquisição fantasma 

Para que não vire tema

Em rodas de carolas

Mas voltando ao ponto 

Os porquês sobre as reticências 

Sem resposta da jornada empacada

O que deveria ligar um ponto ao outro 

Parece uma ponte quebrada 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO- FUSCO  

domingo, 28 de junho de 2026

ENTES SINCRÉTICOS

ENTES SINCRÉTICOS 

ENTES SINCRÉTICOS 

O templo é a benção 

Sobre ventre mãe terra

Útero catedral

Singela firmeza barracão 

Sincréticos universal 

 Manifesto impera fé 

Tambores voz de cada chão 

Liga o Aye a Olodumaré 

Vibrando evocação 

Caboclo e cabocla 

Seus mitos das matas

Preto e pretas velhas 

Ungindo ervas sagradas

Cigano do oriente 

Vaqueiros, muleiros, boiadeiro 

Do sol nascente ao poente 

Guiando nos caminhos 

De Ogum protegido por Exu

Não esqueça das lebaras 

E segredo das suas saias

Reverenciados primeiro 

Orixás sempre presente 

No grão, folhas e água 

Vem com mulheres 

A magia das anáguas 

Centro dos caboclos 

E os mistérios das matas

Terra, fogo e ar 

Diversidade de tantas bandas

Catimbó o singelo abraço 

Kardec e o candomblé 

E seus cativos de Orixá 

A Jurema e seus mistérios 

Ciganos vem a bailar

Quimbanda e Umbanda 

Até o Divino dança por lá 

A dança cria ondas

De mutação e movimento 

Manifesto de norte ao sul

Cada resenha do mapa

 Quartinha de barro e porcelana 

Faz do continente ameríndio

O consolo da assistência 

A dimensão de tantas bençãos 

Herança matrizes africanas 

SÉRGIO CUMINO 

LUMO LUSCO- FUSCO 

 

sábado, 27 de junho de 2026

CUIDADO SOTURNO

 CUIDADO SOTURNO 

O toque e carinho despertar.

Faz-me sentinela do seu sono

Revivendo momentos eternos

Sem protocolo e termos

Até tormentos nos deixam sós

 o guardião aproveita seu repouso

Com luminária das palmas

Projeta as linhas da vida

Relaxando seus ombros 

Desfazendo tensões e nós 

Até os músculos e nervos

Aprisionados pelos maus olhados

Sucumbi à dor efêmera

Mãos protetoras dos seus sonhos

Vagueiam sobre corpo da fêmea

Projeta cores, cuidado amor

Seu corpo pesa na cama

Porque a alma flutua

Sob a graça dos cuidados

Nosso segredo noturno 

Sou semente da noite

Para amanhã ela acordar flor

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO- FUSCO 



BOLO MOLHADO

BOLO MOLHADO 

Que arrepia quando a chuva cai

Aguça a unidade contigo 

Juntamos ingredientes ousados

Ao feitiço das águas de Oxum 

Corpos colados 

Untados, sobre Lençóis amaçados

Beijo molhado e peles úmidas

E sente a liga que o toque faz

E aconchega os braços 

Para a graça repousar

Juntinhos uníssonos e ternos

De corpos, bocas e suspiro

Mil e uma noites a memória traz

 Aquecidos pelo fogo de Ayrá 

Renova a noite que, estará porvir

Calmaria seduzida pelo carinho 

a pele doce, assume o aroma

Assim que sentem o bolo crescer 

Recheados de mel e vinho 

Antropófagos do amor

devoram-se como se fossem 

Bolo molhado 

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO


 

O DENGO E SEUS CORTEJOS

O DENGO E SEUS CORTEJOS 

Nas veredas dessa lida 

Passava pelos rochedos de Xangô 

Nas montanhas sobre as matas

Podia contemplar o Horizonte

E deixar a mente sã 

Como arquétipos nagô 

Avista fumaça distante 

Seguindo onde o vento indica

Sabia que vivia mito de itan

Enfrenta percalços de caminhada 

Percebe no aroma, especial graça 

Levada a liberdade destemida

 Dispensa as paradas 

Atraído pelo que vem de lá 

Porque o vento está seduzindo?

Esteja onde estiver

Não custou muito a encontrar

De alma serena linda e viva

Era uma linda mulher 

Doce filha de Oyá

preparava delicioso cozido 

nem a fumaça alçada 

sequer folhagem da mata

Atrapalhou cruzada do olhar

E os sentidos que exalam 

Como fumaça do caldeirão 

Aceitou a cuia e pousada 

Conduzido por prosas e Chamegos

Aos som dos grilos surgem beijos

Quente transformado em ser

Revelando o dialeto físico

Que alçam e laça os desejos

se quer, o coração deixa

Mexendo o remelexo do sexo

Descobrimos minérios críticos

Ricos em dengo e cortejo 

Misturamos sonhos e crenças

Abertos projetando o plexo

Para que o toque 

seja totem místico

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO