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terça-feira, 11 de agosto de 2026

AFETOS NÁUFRAGOS

 

AFETOS NÁUFRAGOS 

Suporto-me com suporte que me dou

Uma questão de avaliar tudo o que faltou

Identificar o aporte 

Quão eficiente os preposto 

Que sorrateiro nos sufocam

Posar as tendências que nos levam

Acreditar ou suportar tréguas 

A gênese do desvio da rota

Tolero -me com boleros que não cantei 

Sem dizer nos vícios que nos pescam

Nesses mares de equívocos

Como séries da carocha 

Que nos fazem ventrículos

De sua ética, moral e bobagem 

Reporto-me a frente norte que vou

Desprotegida fica a retaguarda 

Dentro da perspectiva a ser avaliada

Se a terra gira ou capota, parece piada

Nos autoconsumimos no teatro de marionete 

Corpo que morre corroí o vivo

Nessa tragédia cíclica, até o esgoto do ciclo 

Navegar é preciso contando que não esteja atracado 

Vivo é o risco do naufrago sem sair do lugar 

Na imprecisa verdade de ser

Submerso saudoso dos afetos 

No entanto, comporta em comportas

Que o atracam no cais 

Comprimido mais o espaço que lhe cabe 

No mar, porém longe das profundezas dos sonhos 

Por uma âncora do julgo alheio 

Como sádicos relatos de Sade

Ou teatro que pronuncia de espírito a crueldades 

Porto seguro uma âncora limite

Como viver com caixeiro atento?

Sem ser um pobre portuário 

Carcomido pelo sal e coral

Olho para céu e rogo a gaivota 

- leva-me com você 

Lá no fundo não há janela que entra o sol

Portanto não se ouve lamúrias naufragas 

A vida segue independente do que houve 

A vida segue!

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

NÃO HÁ LÓTUS SEM CAULE

 NÃO HÁ LÓTUS SEM CAULE

O anseio colocou sua melhor roupa 

Demorou no banho, iludindo a espuma 

Sonhando pelo por vir 

a ponto de sair de si e nunca chegar

Pediu uma audiência com o sonho 

O mesmo sairá por aí a sonhar

Não disse quando volta 

Restou o suspiro que se iludiu em vão 

Ampliou a visão a ponto de perder o contato 

Do que e de quem, por sinal estavam perto 

O mistério devia estar no universo 

Porém, não se viu na imensidão 

A procura medonha o enche de tédio 

Abalos sísmicos e sintomático

Aprende que o espiritualista não se vê na muvuca 

No tumulto da esbórnia 

Seu quartinho de feitiço é a cumbuca 

Caso venha bastar-se a si

Salva a cabeça da bigorna 

Livre como estar só 

É o flerte de si e sua anima 

No deleite dos seus prazeres qualitativos

Enaltece a prece que a poesia nos faz

E as contrariedades 

do bom tom com o bom senso 

E o insidio de velozes e perigosos 

Conforme suponho

Estima-se suas curumelas

Sobre a Letargia dos ébrios 

E a liturgia dos óbvios 

E o porre se repete ao estado enfadonho 

Pede paciência as nuvens 

Brandas se foram e o deixa pra trás 

O que acontece com aquele que supunha?

Refaz seu caminho as fábulas 

Entre os maltês e delírios 

Não é um bico de sinuca 

Deixa a ânsia embriagada 

Anestesiando a espera

Onde reinará a deriva 

Num lago de suores

Por uma gota de sucesso 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

domingo, 9 de agosto de 2026

MARCADORES DE SI


 MARCADORES DE SI

Somos marcadores de página 

Uns não saem do sumário 

Marcadores inveterados

Marcando bobeira 

Outros, sonhadores de asas 

Gastam suas sandálias na jornada 

adentra a porta do desconhecido 

na esperança de se encontrar 

*

Quando o leitor, concede ou perverte

Conforme o receio que dar-se, a ler

Cujos impropérios das rusgas 

Se quer define a divergência 

Síntese do gosto e desgosto 

Crítico de orelhas 

São ruídos a inteligência 

Sabido o medo da mudança 

Torres desabam, desapegos rogam

*

Não será o mesmo no retorno a caverna 

Vá que as frases engulam como baleia 

Provocado pelo efeitos do maremoto 

Ou defeito, fica a gosto do leitor

Inibe o pudor da cognição 

Com o chamado à luz e sombra

Deveras sejam ostensivos

Da um rubor generoso a benevolência 

Encabula a perspectiva 

Chegando onde não imaginava

*

A íris grita da proa

- Ilhas literárias a vista

La verá a alma de sua pessoa nua 

Ao se encontrar com versos de Pessoa 

Posta em rede pública 

Despudorada e comedida 

Mas com o julgo impreciso 

Sendo que dentro de si precisa

Ha equivalência do amor e ódio 

Em conluio com Eros e Thanatos 

*

O marcador desregulado 

A razão e a lógica debochando 

A indulgência é mais inconsciente 

Do que ser servo de algum propósito 

Apenas busca de ar do que comenda

Diante da tormenta, melhor não comenta 

Portanto ela se quer leve

Mas dá um pitaco na consciência 

Há tantos que assanha indiferença 

Se quer constam na cesta poética 

*

Outros marcam ponto na sombra

Sem saberem ser rota de artilharia 

As quais a poesia aponta a flama 

Da dialética quixotesca 

Marca da jornada do herói 

Enquanto os embutidos 

Espiam solenemente do armário 

Já os que distanciam de onde pararam 

A partida vertical mergulha 

*

Para se banhar deles mesmos

Como poções metafísica 

Fazendo do observador observado

Do marcador um ser marcado

Escrito o caminho certo por linhas tortas

Somos poesia do mesmo oceano 

As couraças que o poeta despe

É um convite a nudez coletiva 

E tornarmos a vida mais leve

*

A dor e o amor verossímil 

Semelhanças da vida literal 

O simulacro abarca a ficção

Tira o leitor marcador passivo

Desnuda-lo às águas turvas 

Para prazeres límpidos 

Marcado por uma reflexão profunda 

Paradoxo que apura a alma

Acasala sonetos com a anima 

O marcador vira traças-prateadas

Que enriquece na idade de ouro 

E um lisonjeio a quem despe a palavra 

*

SÉRGIO CUMINO

INVERNO REVERSO 

sábado, 8 de agosto de 2026

VERITAS COMO A LUA


VERITAS COMO A LUA

Fadigas da noite 

“In vino veritas”

Tiveras especificidade 

*

Castelo, fábula e quilate

Toda abundância infinita 

Flutua na pneuma

Romântica e verista 

Sobrepujado pela gota de suor

A resenha tem seu calor

O oxigênio desse fogo

Flama eterno e sensual 

Poesia prevalece no suspiro 

Sonho se apega

O pássaro que voa

És Rainha além da coroa 

O beija-flor com quero-quero

Adentro seu palácio e venho a ser

Despretensioso e fraterno  

O poeta plebeu que fala com a lua

Inspirado no que diz a brisa

E os olhos ainda não se abriram 

Os astros e as causas afins 

Aguardam na superfície das coisas

Onde a ânsia paralela atua 

Com o simulacro da alma

Feito brincadeira de criança 

É o amor em êxtase.

Místico, alegórico e mitológico 

É a paixão no carrossel metafísico

São pressupostos do mundo 

Ressonância selvagem 

Que o sono deu a memória.

O rio que abraça o castelo é perene 

E suas correntes, fontes e afluentes 

A gênesis das personagens 

O fruto da árvore que plantam

*

emparedado no mausoléu do quarto 

Está embriagado pelo aroma da flor

Efeito do predicado lúdico 

Com o instinto no sentido figurado 

Perde-se em sua galeria 

Desperdiçado pelo acaso 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

POETA CANTA A LUA

POETA CANTA A LUA 

 É poesia Paraná 

Rio de dimensão do mar 

Coração se afina delírios afluente 

Como lendas originária de amantes 

Até o desejo começa a adequa

Dão braçadas desejos efluentes 

Arco-íris de paixão cortante

Por ondas de “La Vie em Rose” 

Que atravessam continentes

Sob a lua anseios espumantes

Como fendas poética que leva

A nostalgia de “Meia-Noite em Paris “

Faz da madrugada sem fim

Brisa da mente de entrega leve 

  os abundantes retratos da Rosa

A história álbum jardim 

Galeria de poses feito partitura 

Aviva ao concerto de violino

Cutucada se insinua no chão de giz

Porque a criatividade se atreve

 És como uma pintura 

Quando os peitos batem o sino

Toda compostura flutua 

A poesia namora a prosa

O carinho harmoniza a lisura 

De camisa e perna nua

Nas taças delicioso vinho 

O poeta canta a Lua

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

LUMINÁRIA VIRTUAL

LUMINÁRIA VIRTUAL 

Poste comunicava-se com o da transversal 

- posto o insolente na encruzilhada 

Sobre a varanda que nos espiava 

Para entender entre ser luz e querer holofote 

 na parede externa da Fortaleza 

Se depara com a binária artificial 

Preso por uma mão francesa

Graças subserviência eurocêntrica 

 as peripécias que o mundo nos prega

Mortal-boçal, condenado pelos Deuses da Vida

Torna-se a luminária do lado de fora

Ficou estrábico a criatura com pensamento ofuscado 

Como torturado de guerra

Foi visitado pelas mariposas 

atraídas pela luz, e contempladas pelo “influencer” das redes

Quem se julga farol torna-se um

aquário prestando-se a segurança e museu 

O clarão veio a mente todos os que tinham razão de desprezo

Porque a luz do espírito germina da escuridão do silêncio 

O gênio de aquário clama por glamour 

Que supõe seguidores, que não o conhece mais que as mariposas em volta da lâmpada 

“O espírito é preexistente escondido do caos da vida”. O Boçal é a remela do caos em conserva . 

Numa prateleira virtual 

A flama que produz com o intrometido não consegue coada, no tom que profere, além de entretenimento descartável 

As hastes das mãos que rolam a tela transitam, com empáfia descomprometida, o resto é ilusão ofuscada.

Que aprisiona o influencer na desilusão da encruzilhada.

*

SÉRGIO CUMINO. 

                       INVERNO REVERSO                                                           


 


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

CADAFALCO DA AUTOESTIMA

CADAFALCO DA AUTOESTIMA 

Um sopro de luz

O faz perder impressões de outrora 

Melhor, caiu no julgo do bom senso 

Por desatenção se vê prostrado 

Justo a preservação se faz cadente

Dispensa a autoestima por impropérios 

Perde a relevância que parece ter

Passo raso que não cobre o pé 

Desvia a atenção da razão 

Poça vira lago onde supõe profundidade 

Tenta iludir o mergulho 

Estouraria a testa no lodo

Cabe aqui um asterisco ou aspas?

Diante do post da frase feita 

Quase caí no charme rarefeito 

Graças a ilusão efêmera 

E se perde com as rolagem 

Como fenda temporal da rede

Insuficiente para crescer fio da barba 

Não valeu a lufada do ar virtual 

Simples e desagradável mudança de rota

Faz o equívoco virar ficção barata 

Reduz-se a inseto da mesma espécie 

Para gelar os pés em estação fria 

A intuição esforçou-se no período frívola 

Eis o perfil do teimoso esperançoso 

Quem não tem nada de novo 

Terá tudo do mesmo 

Chances da fissura acanalhada 

princípio das náuseas existências 

Parece ter vagas de estimação 

Relação que deixa estômago enfadado 

Vem daquela que projeta 

O espelho somente para umbigo 

No silêncio a consciência o chama atenção 

Cultivar o masoquismo,

 se engana com que sabe 

As carências exercem

 sua força na confusão 

Relativiza a ressaca do mea-culpa

Faz da efemeridade ejaculação precoce 

Tão bizarra que não vale um verso

O reflexo mantém um palmo

 distante da púbis 

Inútil seria explorar o corpo

Sob as poesias de Eros

A quem perdeu a chance de ser mulher

No teatro da vida

O que importa é a catarse

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

domingo, 2 de agosto de 2026

PLATAFORMA DO PESADELO


PLATAFORMA DO PESADELO 

Barrado na esteira da alfândega 

Apatia da solidão sepulcral 

Conforme os preâmbulos divino 

Da terra não se leva nada

Um paradoxo da pós vida

Justo eu que nada deixo

Se quer um legado fica

lembranças e da biblioteca roubada

Se nem velório teve 

Nem vela, nem foro, nem cânticos 

Nem me vem com ironia 

Colheu o que plantou.

Parado por excesso de carga

O auto falante anuncia 

Um minuto de silêncio 

Primeiro vagão reservado 

É o embarque das crianças de Gaza

como se a gravidade despencasse 

Soterra as almas do ambiente 

Justifica toda poeira 

O dilema elenca agora uma questão 

Quão pesado é o vazio 

 organizei a bagagem conforme os ditames 

Do nada ao nada 

Confirmado a legalidade do fato 

 que nem Deus carrego 

Pela obviedade de ser onipresente 

Até meus malfeitos foram remoídos 

pelo remorso e culpa, reduzidos a pó 

 se foi com o vento da redenção 

No período de reclusão 

Uma triagem terrena completa 

Pois então, sou eu a bagagem 

Recrudescia se iria de fato seguir 

Supus que o ministério do além 

Que mandou um burocrata divino

Nas leis do direito oculto

Haveria possibilidade de recurso 

Será um anjo divergente 

Pôs-me numa pescaria probatória

Prostrado e humilhado

Testemunho ocular no embarque de crianças 

Mortas pelo sionismo infame 

Na plataforma da eternidade 

Embaçado que pouco enxergava

De certo referente a idade

Contraria a juventude iluminada 

A morte não destrói a vida

Mas a vida apresenta controvérsia

 temente a Cristo com orgulho 

Será que aí que mora toda carga

O inverso seria amar em Cristo 

A doutrina endurece os sentidos 

Pesado a rotina das regras

Será que não é possível - dizia eu

Despi–me desse peso, me desfiz da ideia 

Há peso velado ao tabu da nudez 

Talvez seja um sectarismo ortodoxo 

Com os distúrbios da intuição 

A retórica um oceano sem fim

Já estou de passagem pela passagem 

E a situação de mau a pior

Não sabia quanto tempo passou

Nessa condição de imigrante indesejado 

Ou reflexo da noite mau dormida

Mas o que importa a alguém em vida 

Tanto tempo se desperdiçou 

Constrangida fatalidade 

O abateu com um insight

Havia os pesares e seus labores 

Será que essa é a plataforma do pesadelo 

Forcei-me acordar, de súbito 

Lotado bagageiro dos pensamentos

Ouvi os pêsames da cama

Pelo esforço para que o olho abrisse

Era porta emperrada

E a cabeça carrega uma caçamba 

Os entulhos das elucubrações

 Excesso é o peso da consciência 

A madrugada cochilava 

Eu me postei de guarda 

*

SÉRGIO CUMINO 

 INVERNO REVERSO