AFETOS NÁUFRAGOS
Suporto-me com suporte que me dou
Uma questão de avaliar tudo o que faltou
Identificar o aporte
Quão eficiente os preposto
Que sorrateiro nos sufocam
Posar as tendências que nos levam
Acreditar ou suportar tréguas
A gênese do desvio da rota
Tolero -me com boleros que não cantei
Sem dizer nos vícios que nos pescam
Nesses mares de equívocos
Como séries da carocha
Que nos fazem ventrículos
De sua ética, moral e bobagem
Reporto-me a frente norte que vou
Desprotegida fica a retaguarda
Dentro da perspectiva a ser avaliada
Se a terra gira ou capota, parece piada
Nos autoconsumimos no teatro de marionete
Corpo que morre corroí o vivo
Nessa tragédia cíclica, até o esgoto do ciclo
Navegar é preciso contando que não esteja atracado
Vivo é o risco do naufrago sem sair do lugar
Na imprecisa verdade de ser
Submerso saudoso dos afetos
No entanto, comporta em comportas
Que o atracam no cais
Comprimido mais o espaço que lhe cabe
No mar, porém longe das profundezas dos sonhos
Por uma âncora do julgo alheio
Como sádicos relatos de Sade
Ou teatro que pronuncia de espírito a crueldades
Porto seguro uma âncora limite
Como viver com caixeiro atento?
Sem ser um pobre portuário
Carcomido pelo sal e coral
Olho para céu e rogo a gaivota
- leva-me com você
Lá no fundo não há janela que entra o sol
Portanto não se ouve lamúrias naufragas
A vida segue independente do que houve
A vida segue!
SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO

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