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terça-feira, 18 de agosto de 2026

ESSÊNCIA DA FLECHA AFIADA

 ESSÊNCIA DA FLECHA AFIADA 

Oralidade sem verbalizar

Seus frêmitos prolixo 

Paradoxo da linguagem 

Silêncio é prece nas águas de Oxalá 

Há encanto no bater paó 

Dueto das falas é união das palmas 

Mão com mão vibra eloquente 

Verá o encantamento aflorar

Com primor à reverência 

Projeta o Orí além do preceito 

sagrado fala para ouvido que não ouve

Portanto os sentidos respondem

Mutação que desperta 

A pele converge com o ar

As células com a crença 

A oralidade se estabelece 

Supera a lógica 

Revela o pródigo 

Essência flecha afiada 

Evidência a Graça

Saldar Orixá é saldar Olodumaré 

A ilusão são apenas pontos 

Que dispersa como fumaça 

Corpo pulsa o mistério da mata

Forte, terno e alternado

Fogo dança orientado pelos tambores 

Conforme pedido do movimento 

Acolhida do rito e fundamento 

Não existe lá e cá, apenas existe 

A força do Deus pessoal 

A soma que forma o Ilê 

E tudo se conecta 

Guerreiro busca a iluminação 

Campos de força, o campo de luz

Além do que é e do que não é 

Os grãos e encantos, magia 

A mecânica na vida, fadiga

A doutrina supera o ego pueril 

Atrelado a círculos viciosos 

Perde-se no vazio onde tudo mora 

Fonte de existência de toda forma 

No mundo invisível está o segredo 

Quando o axé transcende 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO  

domingo, 16 de agosto de 2026

COSMOLOGIA DO POETA


COSMOLOGIA DO POETA

Fogo toma o corpo, as chamas me chamam 

Ao centro da roda cósmica 

Dá-me letras Labaredas a que destino 

Contempla corredeiras do rio

Hidratante do espírito 

Não sabia o que era eu ou rio

Até a saliva se fazer axé 

Oxum me leva ao transe

A eloquência da intuição 

Rio que ali está, não é o mesmo 

Ad aeternum!

Banha-me na filosofia 

Com a água mãe 

Artéria, imenso ventre terra

Faz-me célula de Olodumaré 

Integração de todos ẹ̀jẹ̀’s

A alma conduz seus afluentes 

Ya e Baba , água e fogo

Compõe o Juntó

 Inspiração me lança ao ar

Oxigênio da criação 

A vereda do coração 

Ayrá carrega Oxalá 

Contrapõe a mecânica civilizatória 

Navegar é destino com timão do tempo 

Mergulho no Orí de Iemanjá 

Para sentir que a matéria é viva

E ser aprendiz com Deuses da mata

Sob o silêncio das raízes de Iroko 

Onde emergir a oralidade

Da alma das folhas 

A ciência da forja 

A perspicácia da caça 

Os insights são ventos de Oya

Que ensina as estratégias de Oba 

ver o amor como banho de cachoeira 

Lavar a lamparina do Orí 

A inerência em ser natureza 

Evidências empíricas, lenhas da fogueira 

Mãe é ver dos sentidos 

O que olha os ruídos 

Submerso em seu leito 

Reina em aforismos

A liturgia de Ifa

Brevidade de Ibeji o riso 

Tão mágico quanto palha de Omulu 

O espírito dos tambores cantam

O axé é dança do rito do Oro

Alegoria insumos dos Orixás 

Com a poesia de cada Itan

Porém Exú é onde tudo começou 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO  

EPIFANIAS DO ORÍ



 EPIFANIAS DO ORÍ 

Para por insumos a mente

Glosava com Olodumaré 

Sentado numa grande pedra

Para ser coerente com o mito 

Se da dor nasceu o sábio 

O estigma o torna rei?

Do estrume nasceu a flor

Fazendo da vereda arte

Do silêncio nasceu a luz

Que flama sincero com a sombra 

Da água vem o amor 

Límpidas como tem que ser

Da cabaça vem os mistérios 

E toda mitologia metafísica 

Sobre o rigor da sina lendária 

Da dúvida vem a dialética 

O preparo do front interno 

Da virtude a razão cética 

Sobre a alusão ética do espírito 

O pé empurra o chão à cabeça chegar a lua

Das células vem a magia 

o território interno proposita energia 

Ensina a vida a trilhar as crenças 

Cuja ancestralidade e sua bença 

Das folhas adquiri a força

Que irradia a esperança 

Do princípio vem o coletivo 

O que ecoa o canto da aldeia 

Do carinho à cordialidade 

A construção da Alameda da paz 

Da brandura o discernimento 

E toda eloquência do silêncio

A chave destranca o destino 

Da força veio o fogo

E toda beleza do movimento 

O redemoinho o paradoxo da ordem

Assim como raio derruba a torre

Dos Itans evocam o sagrado 

E geram os frêmitos do transe

Do que eleva a cabeça ao Olorum

Quando o axé comunga com Orí

*

SÉRGIO CUMINO 

FRÊMITO DO ILÊ 

sábado, 15 de agosto de 2026

COMO NAQUELA MANHÃ

COMO NAQUELA MANHà

O vento sopra o pólen 

Como poesia sussurrando 

Sobre avanço nevoeiro 

Como prece perante o véu 

Balança a copa das árvores 

Como a dança da rainha de copas

A chuva molha Campos e terra

Como cânticos da vida

A vida é terra composta de ventres

Como menina se tornara mãe 

A mãe preposto da Deusa que amamenta o filho 

Com afeto, devoção e amor

O amor mediador do caminho 

Como louco a busca do destino 

As árvores recebem as abelhas

Como o mundo Polinizam beijando as flores 

Ficam envaidecidas que suspiram poesia 

Como floresce inspiração no polem 

Nas copas os pássaros dançam

Como as folhas são chocalhos da árvore 

Coreografa os ares de vida

Como o cio da terra 

Está na ternura da mãe 

Como ventre sente horizonte 

Que alegra e alimenta o amor

Como filho, espírito e santo 

Na jornada do destino 

Como caminhos de revelação 

Que semeia seus jardins

Como abelhas produzem mel

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

O IRREDUTÍVEL BOÇAL

 O IRREDUTÍVEL BOÇAL

Preso numa ideia fixa

A trava da evolução 

A treva da cognição 

Acorrenta como único comentário 

Como se fosse virtude legalista 

Ponto resistente até mofar dele

Temeroso que a ideia fuja

Goma esquecida debaixo da carteira 

Sina que não é fidedigna 

O que faz empenho controverso 

Porém o freio da paixão 

Presa que não está mais lá 

Moral em estado de delírio 

O ponto é a mutação, como diria Capra

Volátil foi a indiferença passando a rolagem 

Ali jaz um ponto fixo

Tantos outros passaram 

Àqueles que insinua algum apreço 

Timidamente pegos na triagem da hipocrisia 

Insiste ser questão de opinião 

Liberdade de expressão não o poupa do ridículo 

Mesmo assim não recicla 

Não fede e não cheira 

O cárcere do propósito 

A síntese do desejo falido 

Como manual carcomido do crente 

Recalque sísmico do conservador 

Na cínica pregação do lacramento 

Princípio basilar de dinastia extinta

Etiqueta de calça velha com vinco 

Fadado a rima do amor e dor

Com plumas de princípio 

Alto flagelo de fina flor

Ai meu santo Benedito 

Não se imagina quão reacionário 

Idealizados em rosquinhas e rococó 

Guarda o ensopado azedo 

Até a lua tem suas fases

O tempo passa e os lençóis amarelam

O que justifica a primeira linha 

Pontuado a relutância em sua lápide 

Quer colocar na linha, e perde o trem 

Pois o rancor será sua sina

 Não será fixo o ressentimento 

A traça corroeu o óbito do ponto 

E só irredutível não percebeu 

O mastro onde crava o ponto 

Não é luta , é medo 

não haverá legado ou pontos póstumo 

 Famigerado ponto morreu consigo 

Resumido a ponto precário 

Eterna surdez do ponto imóvel 

Negacionista da interrogação 

Que jamais será reticências...

    { [ (*”:;!?’ ~ ^) ]. }

 SÉRGIO CUMINO 

 INVERNO REVERSO 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

SIGNA E SEUS SIGNOS

 SIGNA E SEUS SIGNOS 

No lago do inconsciente 

O controle, enigma dos mistérios 

Um cabedal de dúvidas 

Quando se volta pra dentro 

Sonho são performance da alma

Confronto com as rusgas

Acumula impressões 

Nem sempre soluções 

O caos se faz necessário 

Na galeria dos signos 

Cinematografia dos sentidos 

As palavras bailam e pondera 

Conforme a persona 

O amálgama com seu duplo

Põe o drama a se entender 

Se não enxerga o que desconhece

Afere o olhar limitado 

Não há como prevalecer 

Abandona o cortejo do reisado 

O pesadelo que o laça 

A razão obstruída às trevas

O fenômeno se manifesta 

Configurado como empatia 

Onde encontra todas suas almas 

Nas árvores, nas aves e quanto mas 

devaneios dos sonhos gritam histéricos 

Sem enxergar sua tora

A pedra ancestral que joga no lago

Conceitos reverberam, não plágio 

Revela o mundo ambíguo 

Subtraindo lá do fundo

E todos os resíduos arcaicos 

E a realidade obtusa

Como refugo da mente

Confinado a própria consciência 

Cônscio dos atributos 

Cônjuge às sombras 

Dá-se as mãos sem apóstrofo 

Além dos limites de sua natureza 

É o infortúnio que te cria

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

SEMEADURA DA VIRTUDE


SEMEADURA DA VIRTUDE 

Nem sempre o solo é fértil 

Qual a orientação da fraqueza 

Coloca o ser cambaleante a deriva

que causa dolo e tira certeza 

Deixa a cognição em estado débil 

Carente de virtude ancestral 

A sabedoria anterior ao ventre

É um pêndulo entre o bem e o mal

Âmago do desnorteado serviçal ressentido 

Para que renasça e governe

Entenda a pedagogia do oprimido 

E não ser vítima dos seus vícios 

Atribuídos por encomenda 

Omitindo o remetente 

Uma dúvida lhe consome 

Princípio tem valor se o leva a fome?

Eis o desafio da jornada incerta

A qual aprende separar o joio do trigo 

A mesquinhez foge as adversidades 

É sumo, matéria prima da dignidade 

Experiência compartilhada 

Suprime o peso da idade

Com livros, sorrisos e afagos 

Temperança dos humores 

Dando a si o privilégio de ser

Absorvendo a retidão ritual 

O condutor ao seu centro 

Mesmo que não haja cabimento 

Tudo que Orum lhe privou

São enigmas da trilha do destino 

as mazelas que apuram instintos 

E o coloca na escola da vida

Tudo tem um propósito 

Com seus periódicos e predicados 

E o tumulto de afetos com alegoria 

Conforme o reino do mercado 

O sanguessuga de sua lida

Com primor do refino

Faz da alma mercadoria 

Poder sem virtude é tirania 

O que não reserva ao cabimento 

O estigma da mais valia 

A virtude seduz a lealdade

Em si, na fé e no coletivo 

E a encontrar seus pares

Broto da virtude precisa de cultivo 

Desprendimento com discernimento 

Restringir a liberdade em prol do amor

A si, o metafísico e a paixão 

A retração para o cultivo do jardim 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

ALAMEDAS DA POETISA


 ALAMEDAS DA POETISA 

Quando tormento dos ressentidos

Faz palavras flutuantes brisas 

Mediando os conflitos com poesia 

A tristeza é insumo como o amor

olhar perdido acha-se num cantinho 

que o universo reserva para poetisa

Feito lírio no vale dos sonhos 

voo da gaivota, degrade do crepúsculo 

Abaixo um oceano, também mergulho 

O introspectivo da felina na noite 

Contempla serena do telhado 

A lua composição da anima 

Neblina surge como véu de encantos

Ao amanhecer bem-te-vi canta

Ouço! Será que o poema chegou?

É nada é tudo e a beleza se faz

Na borboleta e no descritivo da flor

 Dança a pena na folha branca 

Como asas da criança 

O amálgama de ternura e graça 

És poetisa Paraná, Paranoá e onde convir

Veredas do sertão poético 

Onde a resenha vira mar

E escrever pescador 

De afeto, memória e amor 

Fábula da princesa no castelo imaginário 

Onde sou poeta plebeu de suspiro trovador 

Se tem sangue violeiro 

Sou poeta cantador

Cuja cabeça divaga com cabriolas

 Para a poetisa de pouca prosa

Atenta ouvindo o vento 

Com conselho das estrelas 

As pautas são galáxias 

Guarda universo em nozes 

Esperando a mente divagar 

O que a faz capricho das palavras 

Como se fossem flores de jardim 

O lema que viver de poesia 

Não esteja na permuta 

E sim na escrita do dia a dia 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  


terça-feira, 11 de agosto de 2026

VELHO CAMINHO


VELHO CAMINHO 


 Com passar do tempo, ele acelerou 

Sigo fogoso nas ideias

 porém idoso fora do contexto 

A trivialidade das emoções 

Que se dissipam em nuvens brandas 

Apurando a intuição e cognitivos 

Para quando os apuros 

O torna estranho no ninho 

Sem louvar encanto da desilusão 

Portanto não interfere no repouso alheio 

Assim como, evite o sol a pino

Na corrida do destino 

Passei do sessenta 

Mas o tempo acelerou a frente 

 Busque conselhos, em passeios solitários

Para desprender das sensações 

A ponto de dar folga aos infortúnios 

Evite o autoflagelo, em público

Os ocorridos correm como percalços 

Desde a largada no século passado 

Cada evento morre em si

E a sequela é quirela dentro do sapato 

É bom não dobrar os joelhos 

É hora de sentar com seus erros 

E mediar a situação 

ficar mais leve e livre dos remorsos

 Como disse Schopenhauer:

 “ castelo de ar, se dissipam com suspiros “

O maior tesouro é o bem estar 

A fantasia vem num vestido roto

Camuflada no mundo das sombras 

Noite é colorida, branco é o dia

Adormecer é a maturidade pedindo cama

Dê drible da vaca no descontentamento 

Com a pureza do corpo lento 

E vemos a esperança se distanciar 

Como corre a danada

O olhar avariado a perde de vista 

Se submeta a razão 

Passe pelos males e encontre o bem

Trança as palavras, esculpi a suave prosa

Move os sentidos a cirandar com versos 

Porque os músculos não são os mesmos 

Indisposto a moda de Impropérios

Cada qual que fique com seus infernos 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO