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domingo, 16 de agosto de 2026

COSMOLOGIA DO POETA


COSMOLOGIA DO POETA

Fogo toma o corpo, as chamas me chamam 

Ao centro da roda cósmica 

Dá-me letras Labaredas a que destino 

Contempla corredeiras do rio

Hidratante do espírito 

Não sabia o que era eu ou rio

Até a saliva se fazer axé 

Oxum me leva ao transe

A eloquência da intuição 

Rio que ali está, não é o mesmo 

Ad aeternum!

Banha-me na filosofia 

Com a água mãe 

Artéria, imenso ventre terra

Faz-me célula de Olodumaré 

Integração de todos ẹ̀jẹ̀’s

A alma conduz seus afluentes 

Ya e Baba , água e fogo

Compõe o Juntó

 Inspiração me lança ao ar

Oxigênio da criação 

A vereda do coração 

Ayrá carrega Oxalá 

Contrapõe a mecânica civilizatória 

Navegar é destino com timão do tempo 

Mergulho no Orí de Iemanjá 

Para sentir que a matéria é viva

E ser aprendiz com Deuses da mata

Sob o silêncio das raízes de Iroko 

Onde emergir a oralidade

Da alma das folhas 

A ciência da forja 

A perspicácia da caça 

Os insights são ventos de Oya

Que ensina as estratégias de Oba 

ver o amor como banho de cachoeira 

Lavar a lamparina do Orí 

A inerência em ser natureza 

Evidências empíricas, lenhas da fogueira 

Mãe é ver dos sentidos 

O que olha os ruídos 

Submerso em seu leito 

Reina em aforismos

A liturgia de Ifa

Brevidade de Ibeji o riso 

Tão mágico quanto palha de Omulu 

O espírito dos tambores cantam

O axé é dança do rito do Oro

Alegoria insumos dos Orixás 

Com a poesia de cada Itan

Porém Exú é onde tudo começou 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO  

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