Fogo toma o corpo, as chamas me chamam
Ao centro da roda cósmica
Dá-me letras Labaredas a que destino
Contempla corredeiras do rio
Hidratante do espírito
Não sabia o que era eu ou rio
Até a saliva se fazer axé
Oxum me leva ao transe
A eloquência da intuição
Rio que ali está, não é o mesmo
Ad aeternum!
Banha-me na filosofia
Com a água mãe
Artéria, imenso ventre terra
Faz-me célula de Olodumaré
Integração de todos ẹ̀jẹ̀’s
A alma conduz seus afluentes
Ya e Baba , água e fogo
Compõe o Juntó
Inspiração me lança ao ar
Oxigênio da criação
A vereda do coração
Ayrá carrega Oxalá
Contrapõe a mecânica civilizatória
Navegar é destino com timão do tempo
Mergulho no Orí de Iemanjá
Para sentir que a matéria é viva
E ser aprendiz com Deuses da mata
Sob o silêncio das raízes de Iroko
Onde emergir a oralidade
Da alma das folhas
A ciência da forja
A perspicácia da caça
Os insights são ventos de Oya
Que ensina as estratégias de Oba
ver o amor como banho de cachoeira
Lavar a lamparina do Orí
A inerência em ser natureza
Evidências empíricas, lenhas da fogueira
Mãe é ver dos sentidos
O que olha os ruídos
Submerso em seu leito
Reina em aforismos
A liturgia de Ifa
Brevidade de Ibeji o riso
Tão mágico quanto palha de Omulu
O espírito dos tambores cantam
O axé é dança do rito do Oro
Alegoria insumos dos Orixás
Com a poesia de cada Itan
Porém Exú é onde tudo começou
*
FRÊMITOS DO ILÊ
SÉRGIO CUMINO

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