ESSÊNCIA DA FLECHA AFIADA
Oralidade sem verbalizar
Seus frêmitos prolixo
Paradoxo da linguagem
Silêncio é prece nas águas de Oxalá
Há encanto no bater paó
Dueto das falas é união das palmas
Mão com mão vibra eloquente
Verá o encantamento aflorar
Com primor à reverência
Projeta o Orí além do preceito
sagrado fala para ouvido que não ouve
Portanto os sentidos respondem
Mutação que desperta
A pele converge com o ar
As células com a crença
A oralidade se estabelece
Supera a lógica
Revela o pródigo
Essência flecha afiada
Evidência a Graça
Saldar Orixá é saldar Olodumaré
A ilusão são apenas pontos
Que dispersa como fumaça
Corpo pulsa o mistério da mata
Forte, terno e alternado
Fogo dança orientado pelos tambores
Conforme pedido do movimento
Acolhida do rito e fundamento
Não existe lá e cá, apenas existe
A força do Deus pessoal
A soma que forma o Ilê
E tudo se conecta
Guerreiro busca a iluminação
Campos de força, o campo de luz
Além do que é e do que não é
Os grãos e encantos, magia
A mecânica na vida, fadiga
A doutrina supera o ego pueril
Atrelado a círculos viciosos
Perde-se no vazio onde tudo mora
Fonte de existência de toda forma
No mundo invisível está o segredo
Quando o axé transcende
*
FRÊMITOS DO ILÊ
SÉRGIO CUMINO

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