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sábado, 15 de agosto de 2026

O IRREDUTÍVEL BOÇAL

 O IRREDUTÍVEL BOÇAL

Preso numa ideia fixa

A trava da evolução 

A treva da cognição 

Acorrenta como único comentário 

Como se fosse virtude legalista 

Ponto resistente até mofar dele

Temeroso que a ideia fuja

Goma esquecida debaixo da carteira 

Sina que não é fidedigna 

O que faz empenho controverso 

Porém o freio da paixão 

Presa que não está mais lá 

Moral em estado de delírio 

O ponto é a mutação, como diria Capra

Volátil foi a indiferença passando a rolagem 

Ali jaz um ponto fixo

Tantos outros passaram 

Àqueles que insinua algum apreço 

Timidamente pegos na triagem da hipocrisia 

Insiste ser questão de opinião 

Liberdade de expressão não o poupa do ridículo 

Mesmo assim não recicla 

Não fede e não cheira 

O cárcere do propósito 

A síntese do desejo falido 

Como manual carcomido do crente 

Recalque sísmico do conservador 

Na cínica pregação do lacramento 

Princípio basilar de dinastia extinta

Etiqueta de calça velha com vinco 

Fadado a rima do amor e dor

Com plumas de princípio 

Alto flagelo de fina flor

Ai meu santo Benedito 

Não se imagina quão reacionário 

Idealizados em rosquinhas e rococó 

Guarda o ensopado azedo 

Até a lua tem suas fases

O tempo passa e os lençóis amarelam

O que justifica a primeira linha 

Pontuado a relutância em sua lápide 

Quer colocar na linha, e perde o trem 

Pois o rancor será sua sina

 Não será fixo o ressentimento 

A traça corroeu o óbito do ponto 

E só irredutível não percebeu 

O mastro onde crava o ponto 

Não é luta , é medo 

não haverá legado ou pontos póstumo 

 Famigerado ponto morreu consigo 

Resumido a ponto precário 

Eterna surdez do ponto imóvel 

Negacionista da interrogação 

Que jamais será reticências...

    { [ (*”:;!?’ ~ ^) ]. }

 SÉRGIO CUMINO 

 INVERNO REVERSO 

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