Preso numa ideia fixa
A trava da evolução
A treva da cognição
Acorrenta como único comentário
Como se fosse virtude legalista
Ponto resistente até mofar dele
Temeroso que a ideia fuja
Goma esquecida debaixo da carteira
Sina que não é fidedigna
O que faz empenho controverso
Porém o freio da paixão
Presa que não está mais lá
Moral em estado de delírio
O ponto é a mutação, como diria Capra
Volátil foi a indiferença passando a rolagem
Ali jaz um ponto fixo
Tantos outros passaram
Àqueles que insinua algum apreço
Timidamente pegos na triagem da hipocrisia
Insiste ser questão de opinião
Liberdade de expressão não o poupa do ridículo
Mesmo assim não recicla
Não fede e não cheira
O cárcere do propósito
A síntese do desejo falido
Como manual carcomido do crente
Recalque sísmico do conservador
Na cínica pregação do lacramento
Princípio basilar de dinastia extinta
Etiqueta de calça velha com vinco
Fadado a rima do amor e dor
Com plumas de princípio
Alto flagelo de fina flor
Ai meu santo Benedito
Não se imagina quão reacionário
Idealizados em rosquinhas e rococó
Guarda o ensopado azedo
Até a lua tem suas fases
O tempo passa e os lençóis amarelam
O que justifica a primeira linha
Pontuado a relutância em sua lápide
Quer colocar na linha, e perde o trem
Pois o rancor será sua sina
Não será fixo o ressentimento
A traça corroeu o óbito do ponto
E só irredutível não percebeu
O mastro onde crava o ponto
Não é luta , é medo
não haverá legado ou pontos póstumo
Famigerado ponto morreu consigo
Resumido a ponto precário
Eterna surdez do ponto imóvel
Negacionista da interrogação
Que jamais será reticências...
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SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO

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