EPIFANIAS DO ORÍ
Para por insumos a mente
Glosava com Olodumaré
Sentado numa grande pedra
Para ser coerente com o mito
Se da dor nasceu o sábio
O estigma o torna rei?
Do estrume nasceu a flor
Fazendo da vereda arte
Do silêncio nasceu a luz
Que flama sincero com a sombra
Da água vem o amor
Límpidas como tem que ser
Da cabaça vem os mistérios
E toda mitologia metafísica
Sobre o rigor da sina lendária
Da dúvida vem a dialética
O preparo do front interno
Da virtude a razão cética
Sobre a alusão ética do espírito
O pé empurra o chão à cabeça chegar a lua
Das células vem a magia
o território interno proposita energia
Ensina a vida a trilhar as crenças
Cuja ancestralidade e sua bença
Das folhas adquiri a força
Que irradia a esperança
Do princípio vem o coletivo
O que ecoa o canto da aldeia
Do carinho à cordialidade
A construção da Alameda da paz
Da brandura o discernimento
E toda eloquência do silêncio
A chave destranca o destino
Da força veio o fogo
E toda beleza do movimento
O redemoinho o paradoxo da ordem
Assim como raio derruba a torre
Dos Itans evocam o sagrado
E geram os frêmitos do transe
Do que eleva a cabeça ao Olorum
Quando o axé comunga com Orí
*
SÉRGIO CUMINO
FRÊMITO DO ILÊ

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