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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

A MINEIRA O POETA E A CADEIRA


 A MINEIRA O POETA E A CADEIRA 

A alegria da moça 

Levada pelas pernas morenas

Auxiliadora de toda cognição 

Sobe as ladeiras dá Zona da Mata

A Diva da Manchester mineira 

O brinco da carioca do brejo 

Encontro um amor de fora

Logo se viu distante da Fauna e Flora

Goiabada com queijo na sampa paulistana 

As avarias do joelho e tornozelo 

Leva a caminhada ser com a cadeira 

Enaltece os encantos como manteve o zelo

O poeta paulista não perdeu seu cheiro 

as mãos na manopla, escorre aos ombros 

A prosa é a atração intensa

O beijo a surpreende pela nuca

Com direito a sussurros ao ouvido 

Os arrepios se espalham pelo corpo 

O desejo chega aos pés 

Pedintes da massagem tântrica 

As coxas grossas recebem fino trato

Os joelhos abrem o prazer 

Danados que são 

Sedutores como café fresco 

Oferecido no bule

Somos o bolo de milho 

A mineira não é cadeira 

E a cadeira não é a mineira 

Quando assalta o colo do poeta 

É a resenha da fêmea por afeto 

Com suas carícias em libras

Como os corpos declaram o amor 

Misturando-se com as metáforas do toque 

Porque a poesia é silenciosa 

Renuncia a palestra no momento íntimo 

O verso é o suspiro da pupila 

Conjugando todas as malícias 

A vulnerabilidade consensual 

Admite o conluio 

Com os beijos molhados 

A rendição do plexo desejoso 

Seu sol deixam os seios ouriçados

Com volúpia saltam do bojo 

Depois que os botões abrem segundo ato

A blusa escancara um sorriso 

Na brasileira alegria do desejo 

Pernas morenas contraem e descontraem 

Expostas a um prazer iminente 

Amantes com deficiência deixam a cadeira 

Poesia com deficiência escrita no lençol 

Lira paulistana com paixão mineira 

Cadeira amiga é testemunha ocular 

Discreta segura nossas roupas 

*

SÉRGIO CUMINO 

POESIA COM DEFICIÊNCIA 

 

domingo, 23 de agosto de 2026

SOMBRAS DO PARLAMENTO


  SOMBRAS DO PARLAMENTO 

O lado sombrio 

Corrompe conforme o medo

Adultera os limites 

A náusea dos parâmetros 

O receio sôfrego excita 

Reduz no caminho ardil

*

A carne se torna sebo

A crisma do oculto 

Valor não persiste 

Aquilina o novo servil 

Que enreda o passo nulo

À oportunidade que tramita 

*

A margem habita seu covil

Distante da casualidade 

Olha o nariz desde cedo 

Passa a ser o rancor e vulto 

Olfato do delito

Tudo que previste 

*

Na falsidade tornou astuto 

Caçador de vontade 

Não realiza, da pulos

Dentro dos esquemas 

Passou fuligem na saudade 

Furtam o próprio dogma

*

Os Ditames do sonho 

Tentam desviar da calamidade 

Alivia a coleira apertada 

Mas elencaram seus sócios 

Abre-se o culto do demônio 

Em nome do senhor 

*

A astúcia dos negócios 

É a paridade entre Deus e o diabo 

O fulgor da tentação 

Sob o templo um sem teto 

Encontra-se em Fausto 

Liberta o servo de Deus 

*

Com sombrio da gentileza 

E passa a ter aspecto 

Anula o eu pelo mim

E foge dos oceanos 

A defesa do olhar perdido 

O corvo que devora vísceras

*

As entranhas do bem aventurado

Ostenta ser desonesto 

Para iludir a região dos desejos 

Cria a resignação coletiva 

Tira o perfume do jardim 

Tal como o espírito republicano 

*

Alimenta corrente do subterrâneo 

Total desprezo ao entorno 

O método dos seus planos 

O espectro caminho do beco 

Não há palestra no papo reto 

Corrompe-se no pó, grupo e culto 

Aparelhado no conceito de Deus 

*

FRÊMITOS DO ILÊ-SÉRGIO CUMINO 

RAIO DE LUZ

RAIO DE LUZ 

Quantas noites veladas 

Junto ao parlamento das dúvidas 

A cada item uma moção 

As quais ecoam no pensamento 

Sem espaço as ternuras cálidas

 Da perspectiva eclode o lamento 

A cada negativa uma emoção 

O máximo alcançado 

Com a filosofia existencial 

Foi resignar a ilusão 

Enfraquecer algumas lástimas

Cheguei ao ponto zero 

Sem ao menos saber qual o um

Porém as reminiscências dos sonhos 

Esses me negava a sepulta-las

Certo que a esperança 

É vítima de trapaças 

Tirou-me da fila do pão 

Evito os sorrisos das belas

E os não tão belas, fogem

Entre eu e o prazer, há um vulto

Onde a poesia é o diário do naufrago 

Escrito num quarto sem janelas 

Efeito da resposta do abismo 

Desse atoleiro sem fim 

Qual será o deleite oculto?

Nas preces clamo com ardor 

Tenho o coração regenerado 

No plano físico e metafísico 

Platão me chamou para caverna 

No entanto com sequelas 

A jornada do herói chega ao confim?

Por tanto esperar o tal destino 

Porém secam as flores do jardim 

Há incógnitas quando o tempo urge 

Leva a condição extrema 

Falta-me credor as somas do amor

O peito sente a falta do ar

E as demais que desatino

Sabe-se lá o que pode atrelar

A um artista de sessenta invernos

Esgota-se a esperança e astúcia 

Carrega o estigma do ócio 

Espírito apura o dilema

E toda negação que ele induz

Sou aquele que todos querem 

No entanto ninguém quer pagar 

Rogo a Ayrá um raio de luz

*

                           FRÊMITOS DO ILÊ                             SÉRGIO CUMINO 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

RITO MANIFESTO

RITO MANIFESTO 

  Templo, barracão, terreiro 

O útero, o todo Ilê 

ikun que o filho vem

Mãe e pai e o legado ancestral 

O axé a terra que a raiz desce

O vento que leva e traz 

Água que alimenta o ventre

Fogo a energia do movimento 

Além do gênero é ser uno

Ajayô do pertencimento 

O que reluz o Àrà Ketu

Dimensão no espaço 

Encontrar-se-á no casulo

A potência da eteriedade 

Toda poética do Olorum 

Somos os pelos arrepiados

Áurea do corpo coletivo 

Aproxima o distante

Fundamenta à não declinar 

O povo canta em verso

sopro do rito manifesto

Língua corpo da unidade 

A névoa esconde, porém não 

Hospitalidade incondicional 

Véu de Maya é o rodar das saias

Girando nos enigmas interno

A roda da vida , é vida 

Microcosmo de Olodumaré 

Petros, Obas e Ifa

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO  

ANTROPOFAGIA RELUZ


ANTROPOFAGIA RELUZ 

Estremunhou na palavra 

Sob a estética da fome 

Cânticos da vulnerabilidade 

As virtudes e relevâncias

Nem sempre flores

O abebê da consciência 

Aquele que vejo no espelho 

Lê -me o pretérito 

À ser presente 

Ressignifica o tempo

Do pouco que me resta 

O perdido no espaço 

Já é tarde à lamento 

Registrou-se nas rugas 

Grafia das linhas vívidas 

Sou cada uma delas

Hipocondríacos da solidão 

Pôs-me no berço da criação 

Lirismo e a magia se fundem

Com a áurea recendente 

Não cobre as despesas prósperas

 Diante do véu que transcende

Criou-se a sede de saber

Aforismos transversais 

Remodela resenha e premissa 

A visão acolhida no verbo 

O tempo não passou. Permanece!

Nos o perdemos na vereda

Em algum canto inoportuno 

Arquétipos personaliza reflexo

E a névoa dissipou 

Em comunhão com pensamos

Paradigmas ruíram

O portuário das ondas é a cabeça 

Aflora uma renascença 

Na lavoura inculta 

Rendeu-se a reforma agrária 

Vivo num estado duo

Lampejos de inspiração 

E o pedido de misericórdia 

A assombrosa crueldade da fome

A antropofagia reluz na varanda literária 

O dueto do ser e não ser

Na arena do tempo

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

AMANTE SURREAL

AMANTE SURREAL 

João Antônio,

 alcunha Marlon Brando

Que atrai em sua rede

Uma sereia em seu perfil 

A mulher que flertou com seus sonhos 

A qual iludia até suas dúvidas 

Do quanto nela correspondia

A fotossíntese da realidade 

Era contrato de gaveta com ilusão 

grilagem especialista em paranóia 

Atuava no engodo da percepção 

Era difícil saber quantas primaveras 

Compunha a improvável beldade

Ou se correspondia alguma estação 

Se era maresia ou tempestade 

Se era Mulher fatal

Ou uma sem noção serial killer 

Marlon criou sopros de otimismo 

A ponto de ficar sem ar

Precisava desviar o olhar

 da lista de seguidores 

Joinha, coração , besteirinha virtual 

Nem pensar em checar avatares

Colocam caraminholas offline

Estafado com falta de sinal 

Declino a aforismos de botequim 

Cega-se a plataforma de Tróia 

Se iludido por inteligência artificial 

Que seja com estilo

O corpo era próprio ou sacado de galeria?

Seguro quanto fumos de homem Brando 

Assim a autoestima se diluída 

Com marcador na reserva 

Desponta a famigerada ilusão 

Poxa a champanhe no Iate, Irreal?

Isola o entorno para não deletar a cobiça 

Quantos Marlon existe naquele barco?

Haverá de ter centenas de idiotas 

Resolutos que se dariam bem

Quase certo de não serem robôs 

Abduzidos carentes pelo que projetam

Até os mimos eram compartilhados

Oriundo de algoritmos galanteadores 

Contrabando de afetos 

“Bom dia” sonho viaja na fumaça do café 

“Boa tarde” Crepúsculo despejado da metrópole 

“Boa Noite “ Gato preto no telhado.

Deve ser um araponga no controle 

Uma Dama no espartilho virtual 

E o amor efêmero não começa 

Porque o polegar rolou a fila

*

CATADOR DE RESENHAS

SÉRGIO CUMINO  

terça-feira, 18 de agosto de 2026

O TEMPLO É BENÇA


O TEMPLO É BENÇA 

Tempo nossos mais velhos 

É a benção das veredas 

Olhos que pouco vê 

Leem os Provérbios de Ifá 

Sabem quais as oferendas 

A ciência de cada Ebó 

Que não deixa andar só 

*

O caminho a ordem do axé 

Levam as trilhas de Ogum 

O conhecimento de Odú 

Opostos são polares, porém únicos 

Inspira Ọkùnrin e expira Obìnrin

E vice-versa

*

O ancestral é união dos polos 

Orixá é cabeça, coração e membros 

Se você é Orixá, Orixá é você. Então é Axé 

Nossos mais velhos em seus pilões

Amaçarocaram em preces sem pressa 

folhas à nos orientar 

*

Até emergirmos a brandura 

Palavras em si perde o caminho 

O âmago da oralidade 

Vento não só assovio 

Ensina cuidar do terreiro 

O ventre nas mãos do Àwùjọ

Vozes despertam o corpo cuidado 

Para que não se perca em si

*

Apuram a escuta desde lá 

Quando promessa de destino 

No corpo do escolhido, o abiã 

Ajoelhar à presença não é só bença 

O afago do tempo faz a flor crescer 

Reverência do sábio, antes de Ser

Experiência mística tem que se viver

*

Dedique ao silêncio para escutar 

Atenta a mente ao colo de Orixá 

Anciãos tem mãos que falam

Seu toque a benção ancestral 

Fogo, terra, água, ar

Para emergir com os Orixás 

*

A raiz desceu fundo pra copa crescer 

Somos células dessa árvore 

Com o ancestral que nos cuida 

Amanhece o dia e já estava na alvorada 

Sendo o todo unificado 

O sábio não exerce a força, ele É.

A Bença 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO 

. “ Dedico a Pai Maurício de Oxalá “

ESSÊNCIA DA FLECHA AFIADA

 ESSÊNCIA DA FLECHA AFIADA 

Oralidade sem verbalizar

Seus frêmitos prolixo 

Paradoxo da linguagem 

Silêncio é prece nas águas de Oxalá 

Há encanto no bater paó 

Dueto das falas é união das palmas 

Mão com mão vibra eloquente 

Verá o encantamento aflorar

Com primor à reverência 

Projeta o Orí além do preceito 

sagrado fala para ouvido que não ouve

Portanto os sentidos respondem

Mutação que desperta 

A pele converge com o ar

As células com a crença 

A oralidade se estabelece 

Supera a lógica 

Revela o pródigo 

Essência flecha afiada 

Evidência a Graça

Saldar Orixá é saldar Olodumaré 

A ilusão são apenas pontos 

Que dispersa como fumaça 

Corpo pulsa o mistério da mata

Forte, terno e alternado

Fogo dança orientado pelos tambores 

Conforme pedido do movimento 

Acolhida do rito e fundamento 

Não existe lá e cá, apenas existe 

A força do Deus pessoal 

A soma que forma o Ilê 

E tudo se conecta 

Guerreiro busca a iluminação 

Campos de força, o campo de luz

Além do que é e do que não é 

Os grãos e encantos, magia 

A mecânica na vida, fadiga

A doutrina supera o ego pueril 

Atrelado a círculos viciosos 

Perde-se no vazio onde tudo mora 

Fonte de existência de toda forma 

No mundo invisível está o segredo 

Quando o axé transcende 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO  

domingo, 16 de agosto de 2026

COSMOLOGIA DO POETA


COSMOLOGIA DO POETA

Fogo toma o corpo, as chamas me chamam 

Ao centro da roda cósmica 

Dá-me letras Labaredas a que destino 

Contempla corredeiras do rio

Hidratante do espírito 

Não sabia o que era eu ou rio

Até a saliva se fazer axé 

Oxum me leva ao transe

A eloquência da intuição 

Rio que ali está, não é o mesmo 

Ad aeternum!

Banha-me na filosofia 

Com a água mãe 

Artéria, imenso ventre terra

Faz-me célula de Olodumaré 

Integração de todos ẹ̀jẹ̀’s

A alma conduz seus afluentes 

Ya e Baba , água e fogo

Compõe o Juntó

 Inspiração me lança ao ar

Oxigênio da criação 

A vereda do coração 

Ayrá carrega Oxalá 

Contrapõe a mecânica civilizatória 

Navegar é destino com timão do tempo 

Mergulho no Orí de Iemanjá 

Para sentir que a matéria é viva

E ser aprendiz com Deuses da mata

Sob o silêncio das raízes de Iroko 

Onde emergir a oralidade

Da alma das folhas 

A ciência da forja 

A perspicácia da caça 

Os insights são ventos de Oya

Que ensina as estratégias de Oba 

ver o amor como banho de cachoeira 

Lavar a lamparina do Orí 

A inerência em ser natureza 

Evidências empíricas, lenhas da fogueira 

Mãe é ver dos sentidos 

O que olha os ruídos 

Submerso em seu leito 

Reina em aforismos

A liturgia de Ifa

Brevidade de Ibeji o riso 

Tão mágico quanto palha de Omulu 

O espírito dos tambores cantam

O axé é dança do rito do Oro

Alegoria insumos dos Orixás 

Com a poesia de cada Itan

Porém Exú é onde tudo começou 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO