Estremunhou na palavra
Sob a estética da fome
Cânticos da vulnerabilidade
As virtudes e relevâncias
Nem sempre flores
O abebê da consciência
Aquele que vejo no espelho
Lê -me o pretérito
À ser presente
Ressignifica o tempo
Do pouco que me resta
O perdido no espaço
Já é tarde à lamento
Registrou-se nas rugas
Grafia das linhas vívidas
Sou cada uma delas
Hipocondríacos da solidão
Pôs-me no berço da criação
Lirismo e a magia se fundem
Com a áurea recendente
Não cobre as despesas prósperas
Diante do véu que transcende
Criou-se a sede de saber
Aforismos transversais
Remodela resenha e premissa
A visão acolhida no verbo
O tempo não passou. Permanece!
Nos o perdemos na vereda
Em algum canto inoportuno
Arquétipos personaliza reflexo
E a névoa dissipou
Em comunhão com pensamos
Paradigmas ruíram
O portuário das ondas é a cabeça
Aflora uma renascença
Na lavoura inculta
Rendeu-se a reforma agrária
Vivo num estado duo
Lampejos de inspiração
E o pedido de misericórdia
A assombrosa crueldade da fome
A antropofagia reluz na varanda literária
O dueto do ser e não ser
Na arena do tempo
*
FRÊMITOS DO ILÊ
SÉRGIO CUMINO

Nenhum comentário:
Postar um comentário