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domingo, 23 de agosto de 2026

RAIO DE LUZ

RAIO DE LUZ 

Quantas noites veladas 

Junto ao parlamento das dúvidas 

A cada item uma moção 

As quais ecoam no pensamento 

Sem espaço as ternuras cálidas

 Da perspectiva eclode o lamento 

A cada negativa uma emoção 

O máximo alcançado 

Com a filosofia existencial 

Foi resignar a ilusão 

Enfraquecer algumas lástimas

Cheguei ao ponto zero 

Sem ao menos saber qual o um

Porém as reminiscências dos sonhos 

Esses me negava a sepulta-las

Certo que a esperança 

É vítima de trapaças 

Tirou-me da fila do pão 

Evito os sorrisos das belas

E os não tão belas, fogem

Entre eu e o prazer, há um vulto

Onde a poesia é o diário do naufrago 

Escrito num quarto sem janelas 

Efeito da resposta do abismo 

Desse atoleiro sem fim 

Qual será o deleite oculto?

Nas preces clamo com ardor 

Tenho o coração regenerado 

No plano físico e metafísico 

Platão me chamou para caverna 

No entanto com sequelas 

A jornada do herói chega ao confim?

Por tanto esperar o tal destino 

Porém secam as flores do jardim 

Há incógnitas quando o tempo urge 

Leva a condição extrema 

Falta-me credor as somas do amor

O peito sente a falta do ar

E as demais que desatino

Sabe-se lá o que pode atrelar

A um artista de sessenta invernos

Esgota-se a esperança e astúcia 

Carrega o estigma do ócio 

Espírito apura o dilema

E toda negação que ele induz

Sou aquele que todos querem 

No entanto ninguém quer pagar 

Rogo a Ayrá um raio de luz

*

                           FRÊMITOS DO ILÊ                             SÉRGIO CUMINO 

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