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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

SEMEADURA DA VIRTUDE


SEMEADURA DA VIRTUDE 

Nem sempre o solo é fértil 

Qual a orientação da fraqueza 

Coloca o ser cambaleante a deriva

que causa dolo e tira certeza 

Deixa a cognição em estado débil 

Carente de virtude ancestral 

A sabedoria anterior ao ventre

É um pêndulo entre o bem e o mal

Âmago do desnorteado serviçal ressentido 

Para que renasça e governe

Entenda a pedagogia do oprimido 

E não ser vítima dos seus vícios 

Atribuídos por encomenda 

Omitindo o remetente 

Uma dúvida lhe consome 

Princípio tem valor se o leva a fome?

Eis o desafio da jornada incerta

A qual aprende separar o joio do trigo 

A mesquinhez foge as adversidades 

É sumo, matéria prima da dignidade 

Experiência compartilhada 

Suprime o peso da idade

Com livros, sorrisos e afagos 

Temperança dos humores 

Dando a si o privilégio de ser

Absorvendo a retidão ritual 

O condutor ao seu centro 

Mesmo que não haja cabimento 

Tudo que Orum lhe privou

São enigmas da trilha do destino 

as mazelas que apuram instintos 

E o coloca na escola da vida

Tudo tem um propósito 

Com seus periódicos e predicados 

E o tumulto de afetos com alegoria 

Conforme o reino do mercado 

O sanguessuga de sua lida

Com primor do refino

Faz da alma mercadoria 

Poder sem virtude é tirania 

O que não reserva ao cabimento 

O estigma da mais valia 

A virtude seduz a lealdade

Em si, na fé e no coletivo 

E a encontrar seus pares

Broto da virtude precisa de cultivo 

Desprendimento com discernimento 

Restringir a liberdade em prol do amor

A si, o metafísico e a paixão 

A retração para o cultivo do jardim 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

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