Nem sempre o solo é fértil
Qual a orientação da fraqueza
Coloca o ser cambaleante a deriva
que causa dolo e tira certeza
Deixa a cognição em estado débil
Carente de virtude ancestral
A sabedoria anterior ao ventre
É um pêndulo entre o bem e o mal
Âmago do desnorteado serviçal ressentido
Para que renasça e governe
Entenda a pedagogia do oprimido
E não ser vítima dos seus vícios
Atribuídos por encomenda
Omitindo o remetente
Uma dúvida lhe consome
Princípio tem valor se o leva a fome?
Eis o desafio da jornada incerta
A qual aprende separar o joio do trigo
A mesquinhez foge as adversidades
É sumo, matéria prima da dignidade
Experiência compartilhada
Suprime o peso da idade
Com livros, sorrisos e afagos
Temperança dos humores
Dando a si o privilégio de ser
Absorvendo a retidão ritual
O condutor ao seu centro
Mesmo que não haja cabimento
Tudo que Orum lhe privou
São enigmas da trilha do destino
as mazelas que apuram instintos
E o coloca na escola da vida
Tudo tem um propósito
Com seus periódicos e predicados
E o tumulto de afetos com alegoria
Conforme o reino do mercado
O sanguessuga de sua lida
Com primor do refino
Faz da alma mercadoria
Poder sem virtude é tirania
O que não reserva ao cabimento
O estigma da mais valia
A virtude seduz a lealdade
Em si, na fé e no coletivo
E a encontrar seus pares
Broto da virtude precisa de cultivo
Desprendimento com discernimento
Restringir a liberdade em prol do amor
A si, o metafísico e a paixão
A retração para o cultivo do jardim
*
SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO

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