DO VENTRE A NOITE
Despiu-se do mundo
Atributos e dos fenômenos
Na noite de lua mágica
O vento parou para celebrar
Com a penumbra do silêncio
Libertou-se dos laços
Da contenção das presilhas
Dos padrões que confina
Restrição dos fechos
Confinamento da ilha
Renascer para viver
Mergulha no útero da essência
fogo e a água mistura-se
Sob arbitro da lua
No banho sagrado
Cerimonial que a noite preside
Na lagoa da mente
É anjo por ser mulher
Emerge no afã de viver
De realmente ser
A filha da Deusa
Das profundezas de si
A fluir com a mãe
E fazer-se toda
Em águas míticas
Embebeda- se do luar
Véu faz-se bruma
Reverência sagrada
Recolhimento e entrega
Limiar dos mundos
Ocultando o mistério
Do ventre a noite.
*
SÉRGIO CUMINO
VIAGEM A OLODUMARÉ

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