O PASSEIO DA PALAVRA
Numa noite de lua
Na solidão da agonia
A moça leva a revelia
A palavra para passear
pensamentos precisavam de companhia
Assim teria com quem conversar
Despiu-se das frases feitas
Da moda opressora e fetiche das rendas
Era noite de libertar a utopia
Levou a palavra a beira mar
Para ouvir a capela a ária das ondas
Levou as palavras que andavam rebeldes
Com o estresse da superfície
A Lua e o canto das ondas
Ela e as palavras nuas
Não haveria porque dissimular
As estrelas eram tantas
Brincavam de esconder nas nuvens
Não se preocupavam com as semânticas
Certo era que na praia da dúvida
Entre pairar junto as nuvens
Ou mergulhar no oceano
Ali estava a lua para mediar
Uma coisa era certa
A maresia decodificava pensamento
E as palavras se esbaldava como criança
Bastava dá-lhe a mão
Que a levaria onde quisesse
A liberdade era o farol imaginário
Que orienta as navegantes
E as frases de vento e prosas
No embalo das ondas
Para que ela seja a poesia
Quando a lua é a semiótica.
*
SÉRGIO CUMINO
VIAGEM A OLODUMARÉ

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