SUMA SORTILÉGIO
Sortilégio no colo da mãe
Herança essência da filha
Quando criança brincava
Com bonecas de palhas
Vestida em retalhos trançados
Resgate da consciência mística
No afago da ancestralidade
Transcende a civilidade
Trançando os elementos
Com amor que trança
Brancos cabelos da sábia
Evoca além do que sabe
Mulher, anciã e maga
Mãos que muda a muda
E a faz falar
Caldeirão cozinha segredos
Revelados pelo fogo
a benção magia da Alvorada
Sumo das folhas marinou na neblina
Para elixir só faltam detalhes
Guardado a sete chaves
Em respeito aos Deuses da floresta
Cada árvore, raiz, casca e folha
Nas mãos certas vira magia
O silêncio fala com os sentidos
Oralidade submerge na mulher
Como lago que inspira a luz da lua
Que absorve o poder da noite
Maga, amada pelo amálgama dos elementos
O ventre da transformação
Em dignidade sacerdotisa
No coração da mata
Se manifesta Celeste, terrestre
Cuja a essência é a água
Não contrária aos instintos
Sabe a fúria que tem
Por trás do véu das brumas da mata
Cujo mistério é guardiã
*
SÉRGIO CUMINO
VIAGEM A OLODUMARÉ

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