ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

terça-feira, 5 de maio de 2026

PALCO ANCESTRAL

PALCO ANCESTRAL 

De árvore paoba

Agua, Vida preservada

o arquétipo à cena

Tablado de resenhas 

madeira ancestral 

Opom-Ifá da vida real

Ator procura Oráculo 

E o calor movimenta

Entre nascer e o pôr sol

A noite o mistério conta

três atos surge os ocultos 

No clímax o indulto 

E religuei o coração 

Ao sagrado feminino 

Passagem de cena

Do drama atemporal 

Sou vítima e carrasco 

Atuação canastra 

Ritmo e suas indúcias

Numa soberba servidão 

Tempo esperando engodo 

Vaga pelo contraditório 

Com desejo e obstáculos 

Numa arena dos dilemas

Do realismo fantástico 

A sombra toma a ribalta 

Num dueto com a luz

Público de olhar vago

Se dissipou com a névoa

Nesse palco sem cortinas 

No centro do peito

Três batidas, toc toc toc

Nasce a aventura

 Expectativa em silêncio 

O anti-herói no aceno cênico 

enredo sem cortejo

Contada sem talento 

No proscênio, ansioso 

o epílogo de cada ato

Anunciando o novo

protagonista se perdeu 

No mito Prometeu

Com enredo coadjuvante 

 antagonista é o absurdo 

Relação dele mesmo 

De frente sem prólogo 

Melodrama do jogo

Cheio de vontade 

Cheio de sonhos

Enchendo se do outro 

Teatro e seu duplo 

No solitário monólogo 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                             

segunda-feira, 4 de maio de 2026

O OVO DA FÊNIX

O OVO DA FÊNIX 

Os rincões da saída

Uns deixo para trás 

Antes da astúcia nascer

Outros de amargar

Remediando a lida 

Numa dessas paragem 

Câimbras nas pegadas 

Visão com deficiência 

Que contorce a história 

Pelo engodo factóide 

Na era da paranóia 

Como entender

o que a voz me dizia 

Soprano com a sanha

Que se perde ao fundo 

Que se distância 

Voz que afeto conquista 

Sabedoria nítida 

Cantando como pássaro 

Que não é dessa banda

Mas a melodia é íntima 

Cantoria de outro soprar

Dueto do rio e maresia do mar

Ressignifica toda a lida

Força de duas magias 

Cantarola simpática 

A senhora de enigmas.

Logo na portinhola 

Início do movimento 

Mistério e o cabimento 

Do divisor das águas 

De nenhum lugar 

De lugar nenhum 

Brisa a mente, esquece a senhora 

Com a chaleira na mão 

Era alecrim e outra erva do pote

Além do fundamento 

Da sentido ao corpo e espírito 

A delicadeza e elegância 

Que encaminha a cuia 

Projeta aurea dourada

E com ela trocou me em rito 

amuleto dos ciclos 

Existência e seus princípio 

Abrasador do novo fogo.

Estalos da mente

Insights quentes

Antes da forma

Arte e fé em ebulição 

O ovo da Fênix 

Quebra a casca 

Ao passar portinhola 

De cuia na mão 

Ela ajuda sair do ovo

Nu sem couraças

Tira a casca e mel do quiabo 

Pelas mãos anciãs 

Quebradas da noite 

A poesia e inversos

Do que foi em si

Com restante da chaleira 

Fortalece o Ori

O banho da mãe terra

Para os pés caminhador

Eram seis da Alvorada 

Abre o Odu da jornada 

SÉRGIO CUMINO – ABRASAR À FÊNIX 

                                  

domingo, 3 de maio de 2026

PAPEL E CANETA

PAPEL E CANETA 

São testemunhos oculares 

As juntas do rito

Lamparina e noite fria

Gatas se aconchegando 

Ao calor que o corpo partilha 

Respira a intuição do anima 

As folhas brancas se doam

Em posição ao mito

marcadas pelo equívoco 

Amassada e jogada no lixo

Com desencontro das resenha 

O acerto se desenha

E a que recebe a marca 

vinda do infinito 

Na construção do herói 

Estrutura e mito

Vale que lhe valha

Todo aquele que lhe venha 

Esferográfica solta a tinta 

Pinta um ponto da memória 

Dá-se o início nasce o caos 

Ao ponto dos pontos do legado

Em confronto com os biográficos 

Feito o sumo desse caldo 

Banhado a ficção 

 portando maquiagem 

Narrador com cheiro 

De documentos de grileiro

 Paramentos da criação 

A vida imita a arte 

No tablado do absurdo 

Com recursos semânticos 

Da jangada aristotélica 

Os lapsos seletivos

Na lista de hábitos 

Personagem e o criador .

No delírio do Narciso 

Estética do sincericidio 

Expressionismo nonsense

Da cara de paisagem 

Em memória póstumas 

Vale a vista ampliada

Da sacada da montanha mágica 

A caneta dirige sozinha 

O autor se entrega a viagem 

Graças ao Oxorongá

Que pousou na árvore seca

Aroeira morta. Fez se espírito 

Para ser caminho do recado 

Que a mãe terra mandou 

As corujas conselheiras

Das matrizes ancestrais 

Fizeram um preparo 

Do livro do seu destino.

Que a palavra prospere

a força de oriki rezado 

Porque o Ori é abençoado. 

SÉRGIO CUMINO – ABRASAR FÊNIX 



                                      

INSÔNIA NUMA NOITE DE OUTONO

INSÔNIA 

NUMA NOITE DE OUTONO 

O que escuta atrás da porta?

Ela dá saída ao buraco negro

Ao oculto da memória 

Ouve! (Pausa dramática )

Não escuta nada. 

 chegou e nem deram conta

Houve um espaço atemporal 

Tempestade de pedra de raio

Tamanho mal jeito anfitrião 

Confuso com a comitiva 

Dessa vez o nada não veio só 

Trouxe com pouca bagagem 

o conselho do silêncio 

Se manifestara com aquietar

Do tudo junto e misturado 

E a vergonha verborragia 

Que a consciência escondia 

O Eu e o plenário das sombras

Para descobrir o eu próprio 

Paradoxo do trovão 

Trás dúvida e premência 

Porque da convocação 

De tantos de mim,

Pelo amor de Deus?

Transcende o medo 

Nada de resposta 

Porque se Deus é Tudo 

Deus é o Nada

Quem é na fila do pão 

Centelha do trigo 

Perdida atrás da porta 

assembleia é o tempo por nada.

Sem vir as estações mudarem

O capitólio e o sabatinado 

Bancadas místicas e céticos 

Respondem pelo alvoroço 

Pena de Sísifo muda de regime 

Sem garantia , como a vida

Para deixar a pedra na montanha 

Hastear bandeira encantada 

E o universo não responde 

O sentido não tem o que fazer 

A ação está contigo 

Acha um absurdo 

Resolva com ele

Está na comitiva 

Sagrado seja Os olhos

 Revolta dos inconformados

Bandeira que vibra a existência 

Assusta por ser branca

Contra o delírio dos consolos 

É para se livrar desse bolo

 a união de todas luzes de cores

O gradua a ser o autor

Com a lamparina para vazio 

Sem desviar os olhos 

Provocação filosófica 

Flâmula é a tela

Para Ressignifica a porta 

A da chegada alvorada.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 

                                     

sábado, 2 de maio de 2026

CICLONE

CICLONE 

Não se apega a estigma 

Porque a razão faltou 

Apenas uma vertigem 

Por ser verdadeiro 

A angústia de pronto 

assume o posto 

Pois é seu moço 

Caminho reto

Em entradas tortas

A recíproca também é verdadeira 

Muita atenção nas encruzilhada

conveniência tem suas arapucas 

À prender no estaleiro da resignação 

Por isso, cuidar de si é uma arte

Tantas possibilidades em redes

Cujo balanço ilusionista 

Enquanto o desespero 

O espera no beco 

Para sabotar a existência 

 Brado! Brado! Ayrá Lê!

Grito da fé acudindo a carência 

E logo pede audiência 

Persistência e a teimosia 

Ansiedade da intuição 

Que busca brisa

E descobre se na devoção 

Em ser cavaleiro andante 

Com machado em punho 

Evocando o ciclone 

Que o despe do coletivo 

Para vivenciar o mistério 

E suas litúrgicas matrizes 

O oculto inculta a radiação 

Pelos vibram e chamam 

Os arrepios intermitente 

Ori a bulir com a clarividência 

Até a paciência em transe

Sem o bojo comprimindo o peito 

E as coronárias do Destino.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 

  

                               

PELAS BARBAS DE AYRÁ

PELAS BARBAS DE AYRÁ 

Não sou paladino do caos

Apenas um poeta 

que não quer ser descoberto.

Pela ventania do campo aberto 

Com a chaga as claras

Quero ser eu nessa jornada 

Sem o riso da piada intencionada 

Âncora do benefício do tolo

Do escárnio do outro 

Livrar se dá cama de gato 

Para ser o leão 

sai da Fênix e encarando a sombra

E que o urro chegue a boca

Sem se perder em tempos verbais

Quanto mais sobe

Mais o ar rarefeito 

E o entorno desabitado 

Ortografia corrompida

Preconceito da narrativa 

o murro chega ao estômago 

Da tocaia do cancelamento 

Aí restarão as flores 

Do túmulo do cabimento 

Não ser o leão morto do dia

e seguir pelo Odu do livramento 

 Às barbas do conhecimento 

Põe de molho no mergulho a alma 

Onde se lapida a ternura 

Como pedra filosofal

Na brandura do ancião 

Tantos contratempos até então 

Foram pausas de reflexão 

Nos becos da memória 

Com a lamparina Eremita 

Dessa prosa vivida 

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX                        

sexta-feira, 1 de maio de 2026

MARIA MULAMBO

MARIA MULAMBO 

Atendeu o abdicado

Porque já abdicou

Atravessou a ponte 

Viveu as mazelas 

Dos guetos mundanos

Da queda sem trégua 

Do virtuoso ao vulnerável 

Do humano ao intolerável

Do amor não respondido

Do orgulho ferido

Na lixeira do acaso 

Vem a magia do afago 

Confunde o delírio amargo 

Da nobreza a existência 

Há quem havia esquecido 

A vibração que limpa 

A luz para ver o espírito 

Da mácula marginal 

Reverência a anciã 

Das águas salubre 

Da lama a cura

No resgate do invisível 

Ponto cego da lixeira 

Na noite lúgubre

A força da elegância 

Contra alcunha do abandono 

Nos becos sem donos

De bocas sem vozes

Na autocracias nobres 

Descarte de humanos

A cinza do âmago 

É o resgate Maria Mulambo 

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX  

                      

AS TORRES CORONÁRIAS

AS TORRES CORONÁRIAS 

Setênio de tempestade

Entope as possibilidades 

E das veias coronárias 

Baldrame da torre 

Moinho de vento 

Descontrola por fora

Até moer por dentro 

e avarias do templo 

E a ilha onde mora 

É o DNA do cosmo

Encanto e desencanto 

Luau dos encantados 

Sete anos e Sete ondas

Maresia testemunha ocular 

Reflexões lamuriosas 

Do outro e seu duplo 

Amenidades pagã

Rifa em raios

E seus fariseus templários 

Procrastinando riscos 

Dito pelas três safenas 

Como fadas internas

Além da marola

 tem sete mares

Profecia a veia mística 

A mais entupida bolchevique 

Ativismo da utopia 

Poética por conta da sorte 

Banal e normal se mistura 

Na veia moderada

Na brisa da reflexão torta

Afunda o pé na areia 

E olha para a lua 

Livre e bruta

Amor e liberdade 

Caminho com dor no peito 

Até às ribeiras virarem veias

E o tédio com glossário de culpa 

As receitas que não vingaram

E a poesia resenha 

O caos e a redenção 

No niilismo da solidão 

Agora vê além das sombras 

O vazio em conluio, com porque 

Ser para transcender 

As dúvidas do setênio 

E o medo da escolha 

Desse labirinto de areia.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX  

                                  

CABE A VOCÊ MENINO

CABE A VOCÊ MENINO

 Mergulhar e resgatar a criança 

Lá repousa a esperança 

É hora de submergir 

É fruta madura 

Os pássaros o procuram

Desígnios da mãe terra 

Espírito Quixotesco

De alma comutada

À prosa e verso 

E a cachoeira de resenhas 

Destaca nas pedras de limo

 Criança que não mente.

É ausente do baú ficcional 

Se empoeirado asfixia 

Embrião enrolado papel de pão 

Fui a loja não peguei a seda 

Foi o bloco e caneta

Vai que a infância volte a falar

Uma coletiva para todos eu.

E suas existências antagônicas 

Até lavei o prato de louca

Para canjica de Oxalá 

Água fresca na quartinha 

A chama da vela

Faz a conexão 

Reencontro tem que ter pazes 

Quando a inocência e o estigma 

Migram a benção e arte

 Epístolas dos afetos 

Desígnios do axé 

Feitiço e Drama 

No bojo, nuvens de dúvidas 

As narrativas fantástica 

Não ilude a busca 

Parsifal e o graal 

É a devoção do amor 

Nas águas de Oxum 

A benção do ventre

Sente-se! Príncipe de Ayrá 

Menino tamanho do Oxé 

Na brisa temporal 

Hoje lanterna e barba branca 

Frente a frente

 Como Abebê mágico 

Contigo e todos Ibejis 

E seus frutos encantados

Evocar preces de esperança 

As lavouras desumanas

Terra que ódio contaminou 

Sangue rega lamentos 

Traga o jardim encantado 

Com a benção de Ọ̀sányin

E a alegria de bolo e guaraná 

E todo sagrado Ajeum

Que o espírito tem fome


SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX