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sábado, 23 de maio de 2026

FOLHAS DA DIÁSPORA

FOLHAS DA DIÁSPORA 

Dádiva que se recebe

Do conselho do Olorum 

Folhas, semente, raízes 

Da o olhar a quem elege

O caminho e diretrizes 

 a dimensão em ser um

Com a benção de Ossanhe 

*

Benzedeiras e rezadores 

E encantados acompanhe

Jurema e os louvores 

Mestres do catimbó 

Todo rito do Sassayin

E as raízes que viram pó 

Vem no bornal dos mateiros 

*

A mata é um livro ancestral 

Cada sumo seu paradeiro 

Harmonia do Aye e o astral 

Arte de manipular energia 

Pilar de todo terreiro 

Princípio que faz a magia 

Epístolas que vem a memória 

*

Sabedoria provir da aura 

Presente pela oratória 

Processa a cura dos males

Dialoga com cada alma

É um todo de cada história 

Desperta o oculto entre os vales

Folhas escrituras do Eu.

*

Que transcende o terreno 

Nas mãos que erveiro colheu

 busca o oculto obstinado 

Que o leva ao mundo pleno 

Depois o benzedor benzeu

Fez da devoção sagrado

Manuseio da função a energia 

*

Arauto das forças divinas

Sob os cânticos da magia

 Afeiçoa as folhas ao axé 

 fusão com águas límpidas 

Percepção do entorno amplia

A ver o mundo como ele é 

Bendito, folhas que saciam a dor

*

Conhecimento viaja no tempo

Para corpo, espírito e o amor

Que se mistura nas cabaças

Com sua textura e fundamento 

Na formosura de beleza e cor

E as conservas das garrafas 

Da vida , dando vida a vida

*

SÉRGIO CUMINO –

A VIAGEM A OLODUMARÉ

                           

sexta-feira, 22 de maio de 2026

RESILIÊNCIA À FÉ


RESILIÊNCIA À FÉ 

O olhar voltado para baixo 

Aponta o domínio da terra

A benção da mãe das mães 

Paradoxo do chão perdido 

Para despir-se das couraças 

Desprender de suas esferas

Embirra no lago do ateísmo

Refúgio das dúvidas lodosas

Surpreende-se com velha anciã 

Tem o amparo da sabedoria

Dá-lhe perspectiva a vista

Encontra experiência de Nanã

Põe ao pescoço colar de ametista

Todo panteão saberão quem és 

Lama resgata o discernimento 

Amolece a casca materialista

Procura Osanyin e sua magia

Emerge a realidade vã

A poder oculto das folhas 

Sente a força nos pés 

Levá-lo a empurrar o chão 

Para Ori subir ao Orum 

Desfaz dos tormentos que ânsia

O indica ao banho de cachoeira 

O desprenderá do plano comum

Percepção nova conselheira 

De pronto ao colo de Oxum 

Reconhece o axé em si

Saindo leve como a chama

movimento recebe de Ayrá 

Compõe a força que almeja 

Demais Orixás do fogo

Ogum, Xangô e Obá 

Dão resistência e determinação 

Resiliência tem, se não chegaria aqui

Omulu lhe passa as palhas

Para não deparar com chagas

Por fim da empreitada 

Todos Ebós renascem a fé 

Recebe a benção e brandura 

Lançado ao destino 

Pela flecha de Odė

Habitua-se ao branco das nuvens 

E suas formas ancestrais 

E recebe a missão Olodumaré 

SÉRGIO CUMINO – 

A VIAGEM A OLODUMARÉ


                            

quinta-feira, 21 de maio de 2026

NÉVOA DE OUTONO


NÉVOA DE OUTONO

  *

Quando a voz disse vamos

Não sabia se estava pronto 

Chamas de Ayrá no chamado 

Águas de Oxum levando 

união das brumas, deixa tonto

Na alameda do tempo calado

      *

Postes da via reluz e pontua

Entraves da vida inóspita 

Setênios da causa e efeito 

o mistério da perpétua nua

Visão arrepia a incógnita 

Para quê deveras eleito

       *

Tardio passos do florescer

Abre-se o véu ao novo mundo 

Sai do chão frio, pisa no mistério 

Palmeira sua flor demora nascer 

Quando o nada é o tudo 

Abolição dos padrões e critérios 

      *

 labirinto ao desafio da névoa 

Dissipa o passo subjugado 

Nevoeiro é incenso de outono

 Melancolia da brandura dá trégua 

Ouro de Ya atravessa o nublado 

Paz de Oxalá é benção e consol

  *

Conexão além da cortina 

Linear do físico e espírito 

Poesia, beleza e sonho

A essência nebulosa atina

Quando o fim é o princípio 

Além dos limites do insano   

  *

invisível na invisibilidade 

Mistura-se com a neblina 

Torná-lo o vulto do oculto 

Gênero grau e densidade 

Dá sentido a sua sina

É lapidado o diamante bruto 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                         

quarta-feira, 20 de maio de 2026

ÈRÒ ÌRÓKÓ

 ÈRÒ ÌRÓKÓ

Fonte que acalma

O Ori tempestuoso

Que tira os pés do chão

Perde o apoio da mão

Fuzuê da cognição

Contexto do desespero

Pensamentos tortos

Frágil em destempero

Desmonta princípios

De corpo e alma

Refugia-se a árvore anciã

Declina-se ao pé de Iroko

A força do portal

De um mundo a outro

 profundezas dos mortos

As divindades do Orum

Onde os olhos não veem

Reorienta a cabeça pagã

Senta no colo da mãe terra

 perdido em tumulto

As sombras da árvore sagrada

Espírito sem eira nem beira

Entre Deuses e ancestrais

o curandeiro oculto

Do passado ao presente

Majestoso do tempo

Espírito que ali mora

Poesia gameleira

Que conhece o infinito

Alça humilde o pedido

As raízes da diáspora

No memorial ancestral

É Orisa que habita

Vida, respeito e renovação

Reabilita a fé

A cadência da vida

De tempo a tempo

Estação que transforma

Sabedoria plantada

Divina criação de Olodumaré

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX

terça-feira, 19 de maio de 2026

POESIA DE BORDO

POESIA DE BORDO

Palavras desabafam às palavras 

Paciente das resenhas

Conflito das prosas e anedotas

Divã na cabine do comandante

Provisão dos provérbios 

Ordena os devaneios 

Para narrador dos resíduos 

Postulado da memória emotiva 

Mistura-se ternura com fuzuê 

Convés e seu revés 

Oriundas do rincão da memória 

Bibliografia da lida incerta

Verborragia da escrita ativista 

Resgate das dores a deriva 

Estigma o balanço das feridas

Amores, entraves e fé 

Mar de paixões e desilusões 

A bonança é a poesia 

Porque o leme a resiliência 

Dedicada aos afetos

Fases se eternizam

Em poesia das prosas 

Mitos e seus arquétipos 

Sílabas que sobem e descem

No movimento das ondas

Como os suspiros e lágrimas 

Prece do sujeito imperfeito 

Escreve a nave à outros mares

Comandante adolescente 

De barbas brancas

Teve história pra contar

Postulado do lirismo 

Contraste de tantos lados 

Imprecisão do navegar

Intuição torna a vela

Dessa barca de poetar

Mistura-se com embarcado

Nos naufrágios e maremotos 

 se aconselha com Iemanjá 

Dando a utopia a predição 

Para poeta a palavra é o prisma 

A poesia é o diário de bordo 

Numa maresia de prosódia 

E a rede que pesca as palavras 

Embriagar o que descreve 

Reler é a saudade

E a prosa que anuncia 

Quando avista a mãe terra 

porto seguro, ao sonho do poeta

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                                 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

ETERNA TERNURA


ETERNA TERNURA 

 O amor que a deixou

Apareceu no muro

Que divide os dois mundos 

Num gesto que revela

Que de lá a espera

Foi um sonho intermitente

E tantos que acalenta momentos 

soprando o vapor do chá quente

Solta para fora a dor no peito 

No passeio cadência o passo

Lento a saborear a ilusão 

Peso do corpo frágil, 

abraça o pesar, e sussurra 

:- Meu velho, onde você está?

E recebe a compaixão da ternura 

Da parede estende uma rosa

Branca, o amor a torna púrpura 

Emoção da rubor a face

Saudade tempera a esperança 

Puridade a excelência do tempo 

Experiência, mãe da temperança 

Não deixa a idade tempestear 

Marasmo da tarde lisonja

Brisa fresca tende aconchegar

vagueia na alameda do sonho

Sobre o tempo perdido 

O amor partindo 

Reencontro esperado

 Começa nova história 

No paraíso entre seus lírios

:- Venha! Venha me buscar,

Não basta ser o mais belo

Desse livro da memória 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                  

domingo, 17 de maio de 2026

SUSPIROS DA UTOPIA

SUSPIROS DA UTOPIA 

Mesmo que a casca virou bronze

Como busto de praça 

Manequim de magazine 

Daquelas que a estética oprime

No padrão da distopia 

Grava na pele a região dos desejos

Como tatuagem que te define 

Sai de do fora e vai pra dentro 

Resgatar a essência esquecida 

E toda inspiração e seus lampejos 

Sente o barulho de chuva 

Sai descalça e pise nas poças 

Quebra a couraça que não servia

Veja o vale e suas dunas

Se encharcando de esperança 

Que guardava na cachola 

Toda pureza de criança 

Recrie cada detalhe

Com o elixir da fantasia 

Imagem do âmago lúdico 

Decora o belo da memória 

Solte às esganaduras covardes

Junto com as hordas da escória

Abra frestas e os pássaros liberta

Ao vôo harmônico da resiliência 

Cante a melodia que não podia 

Rio corrente mente afora

Deixa as mágoas, irem embora

O que vim de fora não importa 

Liberdade criadas de dentro 

Voam felizes com as gaivotas 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX         

A PELE VIVE O MITO

 

A PELE VIVE O MITO

 Preces levam a ti

Rogar de amparo

As paragens de Benim

Pede a chave dos entraves

Que bloqueia o Ori

*

questões apregoada

Clamam o redemoinho

Na zona de conforto

Reorganizar esse caos

Não é seguro esse porto

*

Tranquilo será convosco

Em benção com devoção

Quantas agruras até aqui

Aprender à evolução

Pelas adversidades que vivi

*

Lembro quando guri

Foi sobre telhado

com a lança e a chave

Prenúncio, senti e vi

A jornada rumo ao sagrado

*

Alma e corpo em desequilíbrio

Foi quando o mito entendi

Espiral , a sucção das agruras

Agora estado de transformação

Ditos os mistérios pelo Oriki

*

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX


sábado, 16 de maio de 2026

DESEJO É ZELO

DESEJO É ZELO

Colo a ti cedido

Corpo se doa quente

Afeto está presente 

Por estar rendido

Peleja do dia

Dilui com carinho 

Aconchega no ninho

a noite harmonia 

*

Acordar contigo 

Evocar a ternura 

a graça se apura

Poesia faz sentido 

*

A benção é cortesia 

Mandado pela lua

Amor se cura

Dando vida a fantasia 

*

Paraíso perdido 

Cuidado em desvelo

Arrepio dos pelos

Com gestos escolhidos

*

Cães ladram alegria 

Ao cortejo meigo

O desejo é zelo

E gemidos melodia 


SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX