SENÃO POETASTRO
Há dentro de mim que tudo sabe
Se quer sei do que se trata
Sincericidio que aqui brada
Frustra parte do cento do leitor
Tantos protestam com ausência
Insisto em projetar o oculto
Feito um slide verborrágico
A culpa toda do autor
Não há cativos que o responsabilizou
Lá no fundo não encontra Nutella
E sim um acidente interno bruto
O desejo surge com alguma pérola
As palavras fazem buracos fundos
Escava meu baú de norte sul
De Olorum a meu próprio aye
Para emergir o óleo
O sumo da minha presença
Gratidão aos garimpeiros de poesia
Que replicam o devaneio das palavras
Grito meu ativismo que a esquerda não lê
Os progressistas não visualizam
A brutalidade que grossa o óleo
Por vezes quase frequentes
Não passa pelo refino clássico e suas vertentes
É pornográfico o que apura os olhos
Nessa encruzilhada entre esquerda e direita
O estrume semeador da terra cultural
Tendi ao lado de Exú
Contra quem afere a mãe terra
E ao povo marginal
Comunicador, usa a caneta a ferro e fogo
Onde a explosão é resistência
Xangô me ensina a poesia do chão de fábrica
Onde as mãos sujam de graxa
Anarquismo espanhol e o nagô
São a forra ancestral
Sangue preto é a tinta da inspiração
Já os amigos na biografia poética são afetos
É a fotografia que a alma tira
Das resenhas a beira mar
Ao quarto sem janelas
Caverna que a alma replica
O confessionário para o silêncio
Lágrimas são sílabas sobre Gaza
Cujo o tema é a cultura da paz
Bará deu a chave da diversidade
Oxum o axé da arte
As veia poética não coagula
Mesmo com cinco tiros
No peito da intolerância
Caverna ponte de safena cognitiva
A alquimia da poesia com magia
Reclusão sobre linhas que desenrolam
Madrugada ar da graça da hora grande
Seja Observatório 803 ou Catador de Resenhas
Às quebradas da chacina de Jaçanã
Nessa viagem a Olodumaré
Os conformes e inconformados
Poesia é escrita na folha seca da gameleira
Forjada pelo raio de Ayrá
Soprada pelos ventos de Oyá
A borboleta e a ternura dos versos
Entre os signos que traduz as saias
Há alegria da dança de Dandara
Senão agrada muito
Pelo menos não estraga
Deposito à mão, minha consciência
Diálogo de mim com os contextos
O leitor um arqueólogo que se encontra
A jornada do herói com deleites e tropeços
Só o que tenho a oferecer, delírios e verbos
Louco vagando interage com a estrada
Dá-se oxigênio a desesperança
A esse poeta esperando Godo
*
FRÊMITOS DO ILÊ
SÉRGIO CUMINO

Nenhum comentário:
Postar um comentário