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terça-feira, 25 de agosto de 2026

SENÃO POETASTRO

  SENÃO POETASTRO 

Há dentro de mim que tudo sabe 

Se quer sei do que se trata

Sincericidio que aqui brada

Frustra parte do cento do leitor 

Tantos protestam com ausência 

Insisto em projetar o oculto

Feito um slide verborrágico 

A culpa toda do autor 

Não há cativos que o responsabilizou

Lá no fundo não encontra Nutella 

E sim um acidente interno bruto 

O desejo surge com alguma pérola 

As palavras fazem buracos fundos 

Escava meu baú de norte sul

De Olorum a meu próprio aye 

Para emergir o óleo 

O sumo da minha presença 

Gratidão aos garimpeiros de poesia 

Que replicam o devaneio das palavras 

Grito meu ativismo que a esquerda não lê 

Os progressistas não visualizam

A brutalidade que grossa o óleo 

Por vezes quase frequentes 

Não passa pelo refino clássico e suas vertentes 

É pornográfico o que apura os olhos 

Nessa encruzilhada entre esquerda e direita 

O estrume semeador da terra cultural 

Tendi ao lado de Exú 

Contra quem afere a mãe terra 

E ao povo marginal 

Comunicador, usa a caneta a ferro e fogo

Onde a explosão é resistência 

Xangô me ensina a poesia do chão de fábrica 

Onde as mãos sujam de graxa 

Anarquismo espanhol e o nagô 

São a forra ancestral 

Sangue preto é a tinta da inspiração 

Já os amigos na biografia poética são afetos 

É a fotografia que a alma tira

Das resenhas a beira mar

Ao quarto sem janelas

Caverna que a alma replica 

O confessionário para o silêncio 

Lágrimas são sílabas sobre Gaza

Cujo o tema é a cultura da paz 

Bará deu a chave da diversidade 

Oxum o axé da arte 

As veia poética não coagula 

Mesmo com cinco tiros

No peito da intolerância 

Caverna ponte de safena cognitiva 

A alquimia da poesia com magia 

Reclusão sobre linhas que desenrolam

Madrugada ar da graça da hora grande

Seja Observatório 803 ou Catador de Resenhas

Às quebradas da chacina de Jaçanã 

Nessa viagem a Olodumaré 

Os conformes e inconformados

Poesia é escrita na folha seca da gameleira 

Forjada pelo raio de Ayrá 

Soprada pelos ventos de Oyá

 A borboleta e a ternura dos versos 

Entre os signos que traduz as saias 

Há alegria da dança de Dandara 

Senão agrada muito 

Pelo menos não estraga 

Deposito à mão, minha consciência 

Diálogo de mim com os contextos 

O leitor um arqueólogo que se encontra 

A jornada do herói com deleites e tropeços 

Só o que tenho a oferecer, delírios e verbos

Louco vagando interage com a estrada 

Dá-se oxigênio a desesperança 

A esse poeta esperando Godo

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO 

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