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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

RESILIÊNCIA CALEJADA

 RESILIÊNCIA CALEJADA 

O tempo calejou a resiliência 

Impactos quando véus dissipam

Conforme máscaras não encaixam

Não surpreende mais

Os lamentos ficam obtusos

Aprende-se a superar o luto 

Quando os paradigmas são relações 

Rupturas em estado confuso 

Personagens compunham cenário 

Ou cenário compunha personagens 

São contextos que dissertam enredo 

No ato, capítulo, preâmbulos 

Deixa de ser fato, afeto, engodo 

Rei morto Rei posto, e as cartas desabam

Amargo desgosto;

Ervas que curam as enfermidade da ilusão 

Marcam os clímax shakespearianos

E o “teatro non-sense” de Ionesco 

Isso é clássico, contudo seus complexos 

Em noites sombrias ,

Paixões queimaram como palha

A mesma Maria Fumaça dos tempos de boemia 

Aos poucos fica sem lenha pra queimar 

Quando o destino muda de rota

Tantos amores ficaram na estação da esperança 

Contemplativo no crepúsculo da tarde

Que o horizonte não traz de volta

O tempo é eterno, mas atitudes perdem paradas 

E ainda insistimos em requenta-las 

Um perdido no vácuo do tempo

Quando as vozes emitem lágrimas 

E seus silêncios ecoam gritos

Como apito de um trem mudo

As estações e seus legados

E o sonho deixado conforme inverno 

Nessa dor de poeta viajante 

Compõe e decompõe afetos 

Até a prata dos pelos compor sua face 

Traje de gala, para ouvir 

As resenhas que as rugas contam

As partidas que não voltaram 

Mas partiram corações 

Quantos vagões descarrilhado 

Os demais, serrados, túneis e reflexões 

Movem-se com as saudades 

que a resiliência calejou 

*

INVERNO REVERSO 

SÉRGIO CUMINO  

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