BASTIDORES
O teatro a metáfora da vida
Na esperança dos atos
Na simbologia das máscaras
Prólogo, o drama e o epílogo
Vivida na sabotagem do melodrama
Num conto de clímax e apatia
Na metamorfose Kafkiana
Ser o melhor aos olhos das pessoas
Ludibriando o veredito
O lisonjeiro intelectual e artista
Diametralmente o oposto
A decapitação racional
Cai as partes separadas no cesto
As subjetividades se afoitam
Como se os sentidos das coisas
Limitam-se a sorrisos que confortam
Posto a razão acima do limite
O cinismo passa a ser corrosivo
Os risos a impertinência dialética
obsessão frágil atrás da cortina da ilusão
A sobriedade mora na coxia
Na companhia do crânio inanimado
Que contracena com Hamlet
A performance peculiar do bastidor
Habita seu jogo de sombras
Longe dos holofotes da cena
O drama toma a alma
Com o algodão e o demaquilante
O crânio de gesso, tem mais signos
Que as minhas reflexões engessada
A caveira inanimada
A mais sincera filha do molde
Porque do outro lado da porta
Uma plateia escura de cadeira vazias
Adormecem até o próximo espetáculo
*
SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO

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