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sexta-feira, 31 de julho de 2026

BASTIDORES

BASTIDORES 

O teatro a metáfora da vida

Na esperança dos atos

Na simbologia das máscaras 

Prólogo, o drama e o epílogo 

Vivida na sabotagem do melodrama 

Num conto de clímax e apatia 

Na metamorfose Kafkiana  

Ser o melhor aos olhos das pessoas 

Ludibriando o veredito 

O lisonjeiro intelectual e artista 

Diametralmente o oposto 

A decapitação racional 

Cai as partes separadas no cesto 

As subjetividades se afoitam 

Como se os sentidos das coisas

Limitam-se a sorrisos que confortam

Posto a razão acima do limite 

O cinismo passa a ser corrosivo 

Os risos a impertinência dialética 

 obsessão frágil atrás da cortina da ilusão 

A sobriedade mora na coxia

Na companhia do crânio inanimado 

Que contracena com Hamlet 

A performance peculiar do bastidor

Habita seu jogo de sombras 

Longe dos holofotes da cena

O drama toma a alma

Com o algodão e o demaquilante 

O crânio de gesso, tem mais signos

Que as minhas reflexões engessada

A caveira inanimada

A mais sincera filha do molde

Porque do outro lado da porta 

Uma plateia escura de cadeira vazias

Adormecem até o próximo espetáculo 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

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