O SER E O PÓ DA CAMINHADA
O tacho de dendê fervente
Posto em fogo a lenha
cozinhou muita resenha
Imagina-se a qual custo
Como ingrediente escolhido
Desorienta filho de Ayra
Implorando água doce
Do encontro do Rio com o mar
Não é para se tornar um cozido
Sim, benção para o tormento esfriar
As reflexões vocifera em agonia
O que vale está no caldeirão?
Ressignificar a morte
Como vale de introspecção
Preenchendo o vazio
Desse vale de reclusão
É o olho e o furacão
Roga por luz, com pés em brasas
Sobre a cegueira da aflição
Para seguir a sina rumo ao Odu
E destrave a paralisia dos passos
E deixar o vale do abandono
Fritar na controvérsia do transtorno
Como caso pensado dessa provação
Para poesia deixar a alma
E verter pelo fígado
Será a melhor forma
Para registrar distopias vividas
Torturando sonhos
E sacrificando paradigma
Que alguém me diga?
Como ser Fênix,
com a queimada e desconstrução?
Estar numa cumbuca
onde ninguém põe a mão
por medo de pôr a empatia
Na desilusão da provação
observado queima, sente-se só
Será que a sobra do fervor
É o elixir da renovação?
Nova fragrância da vida
Só se apesar da mutação
A esperança não vire pó.
SÉRGIO CUMINO – DO PÓ A FÊNIX

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