AXÉ DE OFA
Flecheiro é desafio escolha
Equilíbrio da resposta e pergunta
Onde a flecha busca o infinito
Para aprender viver o finito
Sagrado entregar sustento
Encontra a vida de quem a perdeu
O espírito da causa e efeito
Enaltecendo o amor
Dobra o arco a escolha
Como orvalho escorre pela folha
Lança flecha a vertigem da vida
Com Oxalá conhece a paciência
Com a beleza do arco-íris
Sabedoria das cores em Oxumaré
Alvo não ouve, oculta-se no oculto
Mistura-se com espírito seteiro
O laço que lança flecha
Transcende o transe
Auspicioso, flecheiro é o alvo
Não encontra a caça
Se não estiver onde deveria estar
Além dos limites do ego
Pensar sem pensar
Integrado ao Orum
Com seus pés no Aye
O axé é o todo e o nada
o espaço é o espírito da mata
A invisibilidade é a arte
O arco é o desenho
Que o Sol e a Lua fazem
Em estado de purificação
Lança o ori em sua dimensão
Ofa é o caminho do Axé
Logun Edé, Oxum e Oba
e o fundamento das sete flechas
Filho não será o mesmo
Faz-se do impossível o possível
A benção é o signo do silêncio
Meditando com o sagrado
Ao liberar a sua flecha
o enigma e o Divino das matas
Densidade arbórea dos mistérios
E suas copas que se tocam
Flecha viaja pelas bençãos
Entre seus filos sagrados
Sobre a sabedoria de Ossanhe
Estica a corda e dobra o arco
Em reverência a existência
Lançando o arqueiro
as raízes ancestrais
SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX

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