QUANDO PENSAMENTO PEDE
Coloco-me em estado taciturno
Em conluio com a calada da noite
Para que ouça com apreço o silêncio
E perceba quão profundo o apelo
Até empatia não descreve o que acompanho
Mas essa impotência que me rasga o peito
As mãos incapazes unem-se em prece
Rogo que atenda o martírio de quem amo
Jogo ao universo, sei que está em todos os planos
Reina no ciclos da vida até que se finda
Regenera vítima da enfermidade
Para que sua filha em roda de rito
O recebe empunhando seu cetro
É divino da cura e purificação
Por isso peço com ar que respiro
Que a vida a dê serenidade no lugar
Do grito entalado pela dor dos ombros
Como se submetesse nervos
A tortura sobre cavalete
mãos retomem a graça de afagar
Que o semblante reviva sua poesia
Faça do dilacerado renovação
E todo sofrimento sabedoria
Tira todos males com suas palhas
Xaxará seja instrumento da sagrada cura
Atotô a saudação que o faço em pensamento
Para o pedido transcender
Onde minha vã filosofia não consegue alcançar
SÉRGIO CUMINO
VIAGEM A OLODUMARÉ

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